terça-feira, 16 de dezembro de 2014

EXU PAGÃO E EXU DE LEI

Hoje iremos tratar sobre os Exus Pagãos e os Exus de Lei.
Percebemos que atualmente existe um “endeusamento”  dos trabalhadores da umbanda conhecidos como Exu, alguns autores acabam atribuindo ao Exu características que seriam do próprio criador, o que em nossa opinião é um grande erro.
Por outro lado, existem alguns umbandistas que ainda defendem a ideia que Exu é o demônio, o que é também um grande equívoco.
Normalmente naqueles terreiros, que possuem uma forte influência Católica, o sincretismo com o demônio ainda impera.
Em nossa opinião um dos culpados por esta visão deformada dos Exus na umbanda foi o escritor Aluizio Fontenelle.
Aluizio Fontenelle foi o primeiro a escrever sobre Exu na Umbanda e na Quimbanda, e no livro Exu apresentou uma relação entre exus e os demônios.
Aluizio teve a infeliz ideia de relacionar os Exus com os diabos das Tradições judaico-cristãs.
exu_aluizio
Aluizio Fontenelle nasceu em 23/05/1913 e faleceu em 03/01/1952 publicou vários livros sobre espiritismo e umbanda.
Infelizmente após este livro, a ideia de que Exu da umbanda era um ser maligno, ganhou força e dominou a mente de vários umbandistas.
Pessoas de mente fraca, sem conhecimento doutrinário começaram a ver os ditos exus demônios e as imagens dos exus-demônios começaram a proliferar  nas lojas especializadas neste tipo de comercio.
Exu_do_Lodo
Alguns Terreiros chegam ao extremo de não trabalharem com a linha dos Exus, exatamente devido a este preconceito.
Vamos, portanto escrever um pouco sobre este conceito existente na Umbanda.
Até alguns anos atrás era comum você estudar e compreender esta linha de trabalho a partir das nomenclaturas de Exu pagão e Exu de Lei, infelizmente alguns autores deixaram de lado este conhecimento antigo e passaram a endeusar os Exus, gerando muita confusão no meio umbandista, principalmente entre os mais novos, recém-chegados a umbanda.
É importante lembrar que quando estamos estudando os Exus, é muito importante não misturar fundamentos.
Existe grande diferença entre o conceito de Exu orixá no culto de Nação.
Exu Guardião ou Exu de Lei da Umbanda.
E o Exu da Quimbanda.
Este texto irá estudar o Exu na Umbanda, não nos interessando neste momento outros conceitos existentes nos outros cultos.
A Umbanda é um culto voltado a pratica da caridade, é uma religião que tem como finalidade principal promover o encontro de seus adeptos com o criador. Este processo se faz através dos orixás, guias e protetores.
Na Umbanda não existe a pratica de magia negativa, não se faz amarrações, trabalhos para prejudicar terceiros, vinganças etc...
Em hipótese alguma este tipo de trabalho espiritual é realizado dentro de uma casa de umbanda.
Se você que está lendo este texto, percebeu que em seu Terreiro é feito alguma espécie de trabalho negativo, abra os olhos e fique atento, pois com toda certeza seu terreiro não é um terreiro de umbanda.
O que fazemos na umbanda é exatamente o oposto disso, protegemos todos aqueles que nos procuram e foram vitimas deste tipo de trabalho, ou seja, a umbanda  trabalha desmanchando e neutralizando estes tipos de trabalhos negativos.
Se existem trabalhos de magia negativa, se existem pessoas que procuram os Terreiros de umbanda em busca de ajuda, porque foram vitimas deste tipo de trabalho, então existem lugares e pessoas que fazem este tipo de prática negativa.
Existem muitos cultos que infelizmente ainda trabalham sem uma orientação, e nestes lugares ainda é pratica comum se fazer qualquer tipo de trabalho espiritual mediante pagamento.
Tradicionalmente existe uma polaridade para diferenciar estes tipos de cultos.
De um lado temos a Umbanda, se colocando como o lado da luz.
Do outro lado a Quimbanda, se colocando como um culto das trevas.
A polaridade Umbanda e Quimbanda é antiga, e sempre teve a conotação da luz lutando contra as trevas.
Atualmente fizeram uma grande mistura entre cultos diferentes, e acabaram misturando umbanda com quimbanda.
Chegaram até a diferenciar a palavra Quimbanda de Kimbanda; o que em nossa opinião é uma bobagem criada somente para confundir os iniciantes.
Quimbanda é um culto, tradicional, antigo e que não tem preocupação alguma com o conceito de bem e mal, ou com a Lei de Deus.
Na Quimbanda quem comanda os trabalhos são os Exus, e é prática normal fazerem qualquer tipo de trabalho, sem que haja qualquer ressentimento ou freio moral.
É um culto que pode ajudar, mas  infelizmente devido a inferioridade moral das pessoas que a procuram acabam pedindo qualquer tipo de trabalho a estes Exus que trabalham na Quimbanda.
Se procurarem no youtube encontrarão vários vídeos, com os mais diferentes tipos de cultos negativos.

Na Umbanda, existe uma lei maior e todos os Exus que trabalham na Umbanda não fazem qualquer tipo de trabalho negativo, podendo em determinadas situações até orientar o consulente, ou mesmo dar uma lição de moral naquele que vai pedir por este tipo de trabalho.
Lembramos que o comando dos trabalhos na Umbanda, sempre é feito por um Caboclo ou um Preto Velho.
Mas se na Quimbanda o Exu faz trabalhos negativos e na umbanda o Exu não faz trabalhos negativos o que vai diferenciar estes espíritos?
É aqui que entra o conceito de Exu pagão e Exu de Lei.
Um conceito simples, prático e muito útil para quem está iniciando agora na Umbanda.
Sabedoria antiga, que não deve ser desprezada.
Todos sabemos que os Exus que trabalham na Umbanda  e na Quimbanda são espíritos, são seres que já tiveram passagem pela Terra, viveram em nosso meio, portanto são semelhantes a nós.
Não são divindades criadas a parte, para serem eternamente negativos.
São espíritos em processo de evolução e aprendizagem, assim como todos nós.
Alguns espíritos, devido a sua ignorância, orgulho, vaidade, prepotência, apego a matéria ficaram presos a crosta terrestre em processos de vingança e ódio; e sem perceberem acabaram ficando nas mãos de espíritos trevosos.
Estes espíritos negativos e ignorantes, são conhecidos na umbanda como Kiumbas.
São estes espíritos que acabam indo se manifestar nestes lugares onde não existe a preocupação com a lei maior.
São estes kiumbas que chamamos de Exu Pagão, e aqui é importante chamar a atenção que é somente uma nomenclatura, que serve para diferenciar a natureza destes espíritos.
Ninguém está afirmando que estes espíritos serão batizados por alguma pessoa, ou coisa do gênero, utilizamos a nomenclatura para fazer uma classificação e desta forma permitir a identificação destes seres.
Exu Pagão nada mais é que um espírito ainda muito apegado a Terra, necessitado de prazeres carnais, que possui vícios, orgulhoso, vaidoso, prepotente e que em algumas situações se considera superior ao próprio criador.
Adoram se manifestar utilizando nomes dos demônios , pedem oferendas com carne, sangue, bebidas e sacrifícios de animais.
Naturalmente que este comportamento demonstra o grau da demência destes espíritos.
Já o Exu de Lei, é aquele que trabalha na Umbanda, é um espírito que conhece suas limitações, conhece a lei divina, quer trabalhar para ajudar os necessitados, possui obrigações espirituais dentro de uma casa umbandista.
Atende as ordens superiores, que normalmente são emitidas pelo Caboclo ou Preto Velho , dirigente do Terreiro.
Exu de Lei já foi um dia um Exu pagão, mas em dado momento encontrou a Lei da Umbanda e passou a seguir o caminho do bem.
É um espírito milenar, conhecedor da magia, conhece muito bem todos os lugares trevosos, sabe muito bem como lidar com estes seres negativos; é por isso que normalmente é o encarregado de tomar conta das passagens que levam aos submundos trevosos.
É forte, duro, determinado  mas nunca irá usar a magia para atacar alguém, sempre estará nadefensiva, protegendo, socorrendo.
Muitos já nem consomem mais bebidas, em alguns terreiros seus trabalhos são reservados e servem somente para o descarrego dos médiuns e da casa.
Enquanto o Exu Pagão, na quimbanda utiliza  a magia negativa para fazer o mal a alguma pessoa, o Exu de Lei irá utilizar todo seu conhecimento e força para neutralizar a magia negativa e defender a pessoa necessitada.
Exu Pagão ataca enquanto o Exu de Lei defende.
É esta a grande diferença entre eles.
O Exu de Lei na Umbanda é o Guardião.
É ele o encarregado de guardar e proteger o Terreiro, o médium, seu lar etc...
Podemos dizer que os Exus de Lei da Umbanda são a tropa de choque do Terreiro.
Agora que você já sabe a diferença entre Exu Pagão (Kiumba) do Exu de Lei (Guardião)ficou fácil diferenciar as casas onde se trabalha com a Umbanda, das casas onde se trabalha com a Umbanda cruzada com a Quimbanda.
Aqui é importante fazer uma ressalva.
Alguns Terreiros de Umbanda costumam chamar a gira dos Guardiões de Quimbanda, mas neste caso não se trata de outro culto; é somente uma nomenclatura utilizada para se referir aos trabalhos dos Guardiões.
Mas existem Terreiros que “viram” para a esquerda, para a Quimbanda.
Neste caso são casas cruzadas, onde se trabalha com a Umbanda e com a Quimbanda.
Nestas casas cruzadas, existe o pagamento pelo trabalho espiritual realizado, oferendas com sangue, carne, ou sacrifício de animais etc...
Em nossa humilde opinião, é uma contradição; não sendo possível seguir a lei da umbanda em determinados dias e a Quimbanda (magia negativa) em outros dias.
Ou você é quimbandeiro e talvez um dia enxergue a luz e siga a Umbanda, ou é Umbandista e já deixou para trás há muito tempo o caminho das trevas, pois a partir do momento que se conhece o caminho da luz não é possível querer retroagir e voltar a seguir o caminho das trevas.
Umbandista fique atento!

Saravá Umbanda!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Eparrei Minha Mãe Iansã!

IANSÃ
Salve o Dia 04 de Dezembro!
Eparrei Oyá!
Mitos, Lendas, Associações e Principais Características
Senhora da Tarde, Dona dos Espíritos, Senhora dos Raios e das Tempestades.
Oyá, mais conhecida no Brasil como Yansã, foi uma princesa real na cidade de Irá, na Nigéria em 1450a.C.. Sobrinha-neta do rei Elempe e neta de Torossi(mãe de Xangô), conquistou com valentia, coragem e dedicação seu caminho para o trono de Oyó.
Conhecedora de todos os meandros da magia encantada, nunca se deixou abater por guerras, problemas e disputas.
Foi mulher de seu primo Xangô e ajudou-o a conquistar vários reinos anexados ao Império Yorubano. Porém, abandonou-o em defesa de sua cidade natal, disposta a enfrentá-lo.
Oyá recebeu, de Olorun, a missão de transformar e renovar a natureza através do vento, que ela sabe manipular. O vento nem sempre é tão forte, mas, algumas vezes, forma-se uma tormenta, que provoca muita destruição e mudanças por onde passa, havendo uma reciclagem natural. Normalmente, Oyá sopra a brisa, que, com sua doçura, espalha a criação, fazendo voar as sementes, que irão germinar na terra e fazer brotar uma nova vida. Além disso, esse vento manso também é responsável pelo processo de evaporação de todas as águas da terra, atuando junto aos rios e mares. Esse fenômeno é vital para a renovação dos recursos naturais, que, ao provocar as chuvas, estarão fertilizando a terra.
Divindade eólica, sopram os ventos que afastam as nuvens, para a passagem dos raios desferidos por Xangô. E é o raio que abre os reservatórios do céu, para fazer cair a chuva, relação comum em todas as mitologias.
Apesar de dominar o vento, Oyá originou-se na água, assim como as outras yabas, que possuem o poder da procriação e da fertilidade. Está relacionada com o número 9, indicativo principal do seu odú.
Oyá está associada ao ar, ao vento, a tempestade, ao relâmpago/raio (ar+movimento e fogo) e aos ancestrais (eguns). Na Nigéria ela é a deusa do rio Niger. É a menina dos olhos de Oxalá, seu protetor, e a única divindade que entra no Ibalé dos Eguns(mortos).
Oyá tem ligações com o mundo subterrâneo, onde habitam os mortos, sendo o único orixá capaz de enfrentar os eguns. Entre as individuações da multifacetária Iansã, uma delas é como Deusa dos Cemitérios.
Impetuosa, guerreira e de forte personalidade, é reverenciada no culto dos eguns. Em yorubá, chama-se Odò Oyà.
Oyá, em tempos remotos, era patrona (ou matrona) de uma sociedade secreta feminina, que cultuava os ancestrais (pessoas já desencarnadas pertencentes à religião), que denominamos Egungun. Foi o orixá Ogun que conseguiu acabar com a primazia das mulheres nesse culto, que passou a ser exclusivamente masculino. Mas, apesar disto, Oyá ainda é reverenciada nessa sociedade.
Oyá, segundo a mitologia, é um orixá muito forte, enfrentando a tudo e a todos por seus ideais. Não aceita a submissão ou qualquer tipo de prisão.
Faz parte de sua indumentária a espada curva (alfanje), o erukere, que usava para sua defesa, além de muitos braceletes e objetos de cobre.
Sua dança é muito expansiva, ocupando grande espaço e chamando muita atenção.
Duas espadas e um par de chifres de búfalo representam a imagem de Oyà.
Suas contas são amarelas ou tijolo, o coral por excelência, o monjoló (uma espécie de conta africana, oriunda de lava vulcânica).
Seus símbolos são: os chifres de búfalo, um alfanje, adaga, eruesin [eruexin] (confeccionado com pelos de rabo de cavalo, encravados em um cabo de cobre, utilizado para "espantar os eguns").
Com Oxalá aprendeu sobre o uso do raciocínio e o dom da paciência. Por isso ela não desiste facilmente de seus objetivos, sabendo esperar o momento certo para conquistá-los.
Oyá é puro movimento. Não pode ficar parada, para não extinguir sua energia. O vento nunca morre, ele está sempre percorrendo novos espaços.
Sincretismo: Santa Bárbara
Suas cores: amarelo e coral
Saudação : Eparrei!
Seu dia : Quarta-feira
Comida predileta: acarajé, milho temperado com camarão e azeite de dendê.
Frutas e verduras: manga rosa, uva vermelha, maçã, cenoura.
Plantas: espada de Iansã (borda amarela) e bambu.
Elemento: fogo e ar
Festa: 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara, com quem está identificada.
Pedras: rubi, coral, granada.

domingo, 23 de novembro de 2014

A REVELAÇÃO ESPIRITUAL DA SAGRADA LEI DE UMBANDA


Em 15 de novembro de 1908, o Plano Divino revela à humanidade o princípio espiritual de uma ação sagrada em benefício da humanidade.

Essa revelação se realizou através de um espírito que se identificou como CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS,vibrando em seu médium ZELIO DE MORAES.

UMA MENSAGEM ESPIRITUAL.

UMA MENSAGEM DE LUZ E DE AMOR

UMA MENSAGEM PROPORCIONANDO A CADA SER A OPORTUNIDADE DA RENOVAÇÃO ÍNTIMA E MENTAL NA BUSCA DA EVOLUÇÃO ESPIRITUAL.

A PRIMEIRA TENDA PLASMADA PELA AÇÃO DO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS TEVE O NOME DE TENDA ESPIRITA NOSSA SENHORA DA PIEDADE.

A MÃE DE JESUS E DE TODA HUMANIDADE ESTÁ PRESENTE NA IRRADIAÇÃO BENTIDA DA UMBANDA.

A FILOSOFIA TRAZIDA POR JESUS, NO CUMPRIMENTO DE SEU MEDIUNIDADE COMO CRISTO, ESTÁ PRESENTE NOS TRABALHOS DA UMBANDA.

DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTE.

AS COISAS DE DEUS NÃO SÃO PARA SEREM COMERCIALIZADAS AQUELES QUE O FIZEREM SERÃO EXPULSOS TAL COMO JESUS O FEZ EM RELAÇÃO AOS VENDILHÕES.

A UMBANDA NADA CRITICA. NADA CONDENA. NÃO TEM DOGMAS.
A UMBANDA BUSCA A CADA INSTANTE, A CADA HORA, A VERDADE. CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ, DE QUE? DA IGNORÂNCIA ESPIRITUAL.

OS ESPÍRITOS QUE VIBRAM NOS SAGRADOS TEMPLOS DE UMBANDA REVESTEM-SE DE FORMAS DE APRESENTEÇÃO A FIM DE QUE ATRAVÉS DE SUAS  PALAVRAS SIMPLES E OBJETIVAS POSSAM PROPORCIONAR A CADA SER A CONDIÇÃO DE ENTENDER E COMPREENDER QUE SOMOS ESPIRITOS PROVISORIAMENTE INVESTIDOS NUM CORPO.


A UMBANDA NOS ENSINA QUE SÓ HÁ VIDA.

NESTE DIA SAGRADO PARA TODOS NÓS, AGRADEÇAMOS AO PAI AMANTÍSSIMO ESSE PRESENTE PARA A NOSSA ELEVAÇÃO = UMBANDA.

A CADA INSTANTE POSSAMOS ENXUGAR AS LÁGRIMAS DOS QUE CHORAM DE AFLIÇÃO.

CADA UM DE NÓS, MÉDIUNS DE UMBANDA, ASSUMIMOS NO PLANO ESPIRITUAL O COMPROMISSO DE TRABALHAR NA UMBANDA.

IRRADIEMOS PARA A TODA A HUMANIDADE A VIBRAÇÃO DA PAZ E DO AMOR ESPIRITUAL.

CAMINHEMOS JUNTOS, LADO A LADO, INTENSIFICANDO ESSA VIBRAÇÃO ATRAVÉS DO EXERCÍCIO DE NOSSA MEDIUNIDADE.

FRATERNALMENTE

pedro miranda

domingo, 16 de novembro de 2014

Historia Pomba Gira Rosa Vermelha

A História começa aqui: A tarde caia lentamente. Assustada, Rubia apertou o passo quando percebeu, que um homem a seguia. Era Felinto, o bêbado da cidade. Tentou entrar por ruelas estreitas para despistar seu perseguidor. No entanto, ele continuava caminhando, a poucos passos dela. Rubia lançava olhares para todas as direções tentando encontrar alguém que a pudesse ajudar, mas era vão. A cidade estava deserta. Nem os moleques que costumavam correr por ali todas as tardes se faziam presentes nesse dia. Já tinha ouvido falar das grandes bebedeiras daquele homem, porém nunca soube que ele houvesse feito mal a alguém. Mesmo assim, a respiração pesada, que ouvia, vinda dele, a cada passo que dava, deixava-a apavorada e insegura quanto ao motivo daquela perseguição. Nunca saia sozinha. Aos dezessete anos, era uma moça de rara beleza e seus irmãos mais velhos nunca permitiam que fosse às ruas sem ter, ao menos um deles, como acompanhante. Nessa tarde escapara da vigilância cerrada e fora ao campo respirar um pouco de ar puro. Ao retornar, satisfeita por ter fugido um pouco da rotina, percebera os passos de Felinto e seu coração gelou. Havia algo de muito errado naquela atitude. Agora já estava correndo. Ele corria também. As mãos fortes do homem agarraram-na e uma delas imediatamente cobriu-lhe a boca. A mão livre corria pelo seu corpo. Ela já não tinha dúvida quanto ao interesse que despertara. Freneticamente tenta se livrar, mas ele é muito forte. Uma dor aguda anuncia que chegara ao fim. Aquele infeliz tomara sua virgindade à força. Com os olhos nublados pelo ódio vê o homem levantar-se com um sorriso cínico dirigido a ela. Num relance, percebe, perto de si, uma grande pedra pontiaguda. Com rapidez se ergue já com a pedra na mão. Felinto está de costas, absorvido na tarefa de fechar a calça. Sem titubear, ela atinge sua cabeça com um golpe certeiro. Surpreso, o homem se vira. O sangue corre pelo seu rosto. Tomado de ódio e dor, agarra Rubia novamente e aperta-lhe o pescoço com extrema violência. Caem ambos por terra. A moça ainda vê a morte passar pelos olhos do homem, antes de também exalar o último suspiro. O caminhar do espírito de Rubia, por vales sombrios, foi longo e doloroso. De outras encarnações trazia pesada carga. O assassinato de Felinto só fez aumentar, seu período de sofrimento em busca de conhecimento e luz. Hoje, em nossos terreiros, se chama Rosa Vermelha. A pomba-gira dos grandes amores. Discreta e bela, sua incorporação encanta a todos que a conhecem.
Sarava a pomba-gira Rosa Vermelha!

Que a Divina Luz esteja entre nós 

Emidio de Ogum 



domingo, 2 de novembro de 2014

DIA DE FINADOS NA UMBANDA



O dia 02 de novembro - dia dos finados, tem origem desde o século II, quando fiéis cristãos rezavam pelos mortos junto aos túmulos dos mártires. No século V a Igreja passou a dedicar um dia do ano onde se rezava por todos os mortos dos quais ninguém se lembrava ou rezava. Mas foi a partir do século XIII que a Igreja instituiu o dia 02 de novembro como dia oficial de comemoração ao dia dos mortos.
Para nós Umbandistas, o dia de finados é um dia de louvor aos mortos, onde relembramos nossos entes queridos que já não se encontram entre nós, através da oração, de cânticos as Almas, às Santas Almas e à Pai Omolu, além de ser um dia onde realizamos preceitos, no intuito de fechar nossos chakras contra energias nocivas. Não podemos esquecer da magia (negativa) que é realizada neste dia e no dia que antecede a este por nossos "amiguinhos" encarnados e desencarnados, que aproveitam para mandar "brasa" em cima de nós. Sendo assim, não podemos vacilar, devemos ORAR e VIGIAR para que continuemos nossa caminhada terrena e espiritual equilibrados. 
Este dia naturalmente nos remete a um estado reflexivo, onde acima de tudo buscamos através da oração nos ligar aos nossos entes queridos. Como sempre diz o Pai José, é uma forma de abraçar nossos amigos que partiram, aplacar a saudade. É um dia de comemoração pelos que retornaram à pátria.
Rezar, acender velas, levar flores ao túmulo ou ao cruzeiro, tomar banhos de defesa, tomar banhos de limpeza e purificação, se "banhar" com as flores de omolu, fazer uma defumação no ambiente e nas pessoas são rituais que podem ser realizados individual ou coletivamente, bem como, abster-se de carne vermelha, bebida alcoólica e sexo; eliminar e evitar pensamentos, palavras e sentimentos negativos, são preceitos que podem e devem ser realizados independentemente do segmento que você siga. Não podemos esquecer também de "arriar" uma oferenda no cruzeiro das almas.

Axé!

domingo, 12 de outubro de 2014

Obsessão e Desobsessão na Umbanda


A Desobsessão é uma prática antiga em muitas religiões, próxima ao exorcismo católico, bem diferente do que mostra os filmes de terror, porém como mesmo propósito quebrar o elo que liga o encarnado com o espírito de baixa luz, existem alguns tipos de obsessões estas podem ser causadas por Trabalhos de Magia Negra, energias negativas, doenças, tristezas, depressão ou para médiuns de transporte um simples desequilíbrio áurico.

Os Espíritos que obsediam a pessoa podem ser vários por vários motivos, existe a interferência de espíritos de entes desencarnados ainda presos a pessoas, lugares e até sentimentos, um exemplo é um Pai que amava um filho e não aceita o desencarne pode obsediar seu filho. Nesses casos a desobsessão é simples pois o espírito aceita o desenlace porém o encarnado deve ser tratado pois ele pode criar laços atraindo este espírito novamente.


A Obsessão pode acontecer em médiuns próprios chamados “Médiuns de Transporte”, porém outros médiuns também podem ser obsediados por Espíritos denominados como sofredores, esses espíritos não buscam fazer o mal, buscam a luz e a Deus, procuram seu resgate através da influência nos encarnados essa desobsessão é a mais fácil, pois o espírito já está doutrinado e não a ligação afetiva com o encarnado.

Existe ainda a Obsessão de espíritos trevosos, também chamados de: Kiumbas, Barra-Ventos, Rabos de Encruza, Ganchos e em algumas são os “Demônios” esses espíritos são militantes do baixo astral, seu interesse são prejudicar o encarnado em troca de favores, oferendas ou um simples “Poder” é a desobsessão mais difícil, pois de debatem, não querem ser doutrinados, mostram um falso poder, pois a Luz sempre está acima das trevas. Esses espíritos gostam de causar medo, pois essa é uma das portas de entradas para sua atuação xingam, mentem, se mostram com formas horripilantes e animalescas, sempre com garras.

A Desobsessão na Umbanda acontece com a incorporação do espírito que está obsediando, um médium preparado com a guarda da sua entidade de luz se liga auricamente. É imprescindível o mínimo de três médiuns para a desobsessão sendo que no mínimo um da passagem pro espírito obsessor, um doutrina e o outro fica na guarda espiritual. A Maioria sempre tem que ficar na guarda nunca incorporado com obsessores. A Obsessão só pode ser conduzida por um médium muito capacitado para tal trabalho, é o trabalho mais perigoso espiritualmente.

O Médium que da passividade ao espírito obsessor deve seguir algumas orientações:

- Nunca se entregue totalmente procure se resguardar energeticamente

-Confie na entidade que comanda o ritual e não interfira.

-Ore para a iluminação e condução do espírito

-Não se Ligue Mentalmente ao Espírito.

- Deixe sua mente no vazio não ouvindo ou dando importância a conversa.

-Procure ficar o menos tempo possível incorporado

-Ao desincorporar o obsessor é obrigatório que traga uma entidade de luz para que reequilibre sua aura.



Se Você for o Médium de Segurança ou da Doutrinação siga algumas regras:



- Trate o Espírito com Respeito.

-Não queira mostrar força espiritual

-Faça o mais rápido possível

-Não faça perguntas de nomes, ou causas específicas, pois os espíritos mentem e podem causar problemas de relacionamentos futuros.

-Encaminhe-os com calma aos espíritos de luz.

-Não se apavore mesmo que demore a luz sempre vencerá.



A Desobsessão na Umbanda acontece com o espírito já preso é só encaminhá-lo a luz. Agora irei apresentar alguns sintomas que a obsessão causa:

- Insônia, Tonturas e Desmaios freqüentes

-Pesadelos corriqueiros

-Sentimento de estar sempre seguido

-Peso no Pescoço, Ombros e Braços. (No Banho Melhora)

-Troca de humor freqüente, irritabilidade

-Vontade de praticar violências contra os outros e a você mesmo

-Vontade de Suicidar-se.

-Alcoolismo, Drogas.
 



Texto de Pai Léo das Pedreiras com apontamentos de Pai João do Congo.

domingo, 28 de setembro de 2014

Por que ganhamos doces no dia de Cosme e Damião?



Santos Cosme e Damião
Essa data celebra, para os católicos, a memória de Cosme e Damião. Os irmãos gêmeos eram médicos e viveram na Ásia Menor. Eles ficaram conhecidos porque curavam pessoas e animais sem cobrar dinheiro. Morreram por volta do ano 300 d.C. degolados, vítimas de uma perseguição do imperador romano Deocleciano. Na religião católica, o dia 26 de setembro lembra os jovens que pregavam os ensinamentos de Jesus Cristo. Eles são considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina.

No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é 27 de setembro. Nessas crenças, eles são conhecidos como os orixás Ibejis.São filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças.
São Cosme e Damião também são considerados protetores dos gêmeos e das crianças. Por isso, as pessoas criaram o costume de distribuir os doces para homenagear os santos ou cumprir promessas feitas a eles.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Pomba Gira Rosa Caveira

video


Sacode o pó que chegou Rosa Caveira!
Pomba Gira da calunga
Vem levantando poeira. (2x)
Suas mandingas são
Cercadas de mistérios.
Saravá a Pomba Gira
Que vem lá do cemitério.
Se diz que faz é melhor não duvidar,
Porque a Rosa Caveira
Promete para não faltar.
Sacode o pó que chegou Rosa Caveira!
Pomba Gira da calunga
Vem levantando poeira. (2x)
Levo uma rosa quando vou ao seu axé.
Falo com Rosa Caveira,
Porque nela eu tenho fé.
Tudo o que peço nunca me deixou faltar.
Ela é muito famosa e não é Mojubá.
Sacode o pó que chegou Rosa Caveira!
Pomba Gira da calunga
Vem levantando poeira. (2x)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Kundalini e a Umbanda





Na Umbanda podemos especificar as utilizações dos chakras pelas entidades, em situações de cura ou manifestações de espíritos obsessores, muitas entidades tem conhecimento milenar do corpo físico e dos pontos de energia, principalmente nas consultas mediúnicas de cura, A Yoga tem muita literatura sobre o assunto e vamos usa-la como um paralelo de nosso artigo, A Kundalini é uma ciência milenar sobre a arte de lidar com a expansão da consciência, acordando e fazendo subir a ENERGIA KUNDALINI pelo canal da espinha vertebral, atravessando e ativando os centros de energia denominados de chakras, (este chakra é utilizado pelos Exus, colocando as mãos do médim nas costas rente a coluna), Essa realização é feita misturando e unindo PRANA (energia cósmica Oxalá) com APANA (energia de eliminação, ativando este chakra) gerando assim uma pressão que força a subida da kundalini através da coluna utilizando-se PRANAYAMAS (exercícios respiratórios energia de Iansã), BHANDAS (contrações corporais, energia de Oxossí), KRYIAS (jogos completos de exercícios) e utilizando-se ASANAS (posturas), MUDRAS (gesticulação com mãos, dedos ou braços) e MANTRAS (pontos cantados).
PRANA é a força básica da vida é a força de Oxalá, está no ar que respiramos, no alimento, ou na clorofila que comemos e que assimilamos sem qualquer esforço. A prática da Kundalini enfatiza a absorção da energia cósmica.
APANA é a força eliminatória (descarrego efetuado por Ogum ou Exús), cuja reserva é localizada nos chakras inferiores. Quando esta força sobe juntando-se a prana através de exercícios, respirações e bhandas é gerada uma pressão que, ao produzir calor (energia), faz subir a Kundalini através dos chakras, ou seja, ao longo da coluna vertebral, por onde passa todo nosso sistema nervoso.
Esse conhecimento foi um segredo muito bem guardado, entregue pelo Guru a estudantes selecionados durante centenas de anos. De acordo com as escrituras yóguicas esta antiqüíssima ciência tem 7 mil anos. Os ensinamentos foram dados a conhecer somente aos iniciados em templos e monastérios da Índia, Nepal e Tibet, (lembre-se que muitas entidades e Orixás pertenceram a estes locais). A Kundalini tem relação muito próxima ao Tantra, que também faz subir a energia Kundalini. Graças a Yogi Bhajan esse conhecimento foi tornado público para o ocidente.
Através da prática da Kundalini o ser humano pode unir sua consciência cotidiana à sua consciência superior, ou cósmica, de forma regular ou diária, praticando cuidadosamente uma seqüência de exercícios e meditações combinadas. Logo o estudante praticante percebe o movimento da energia dentro de si e ao redor do seu corpo e assim conscientemente, começa a direcionar esse fluxo energético para estimular e acordar os chakras.
A KUNDALINI é um incrível e poderoso reservatório de energia que tem por símbolo uma serpente enrolada na base da coluna vertebral. Essa força tem a energia do átomo, é transmitida pela respiração e que todo ser humano tem disponível para dar vida à seu corpo-matéria. Toda yoga faz subir a kundalini, mas cada uma tem seu tempo. Essa energia transformadora trabalhada ao longo das práticas tonifica, limpa e revigora o metabolismo, fortalecendo a saúde psico física do ser humano.
Depois desse processo de purificação, que inclui mudança nos hábitos alimentares e de atitudes, a kundalini se expande e, ao ultrapassar o chakra do coração em direção aos chakras superiores, atinge uma consciência extraordinária, de grande sutileza e percepção. É o estado de samadhi, bliss ou nirvana, o êxtase da existência.
A Kundalini é denominada Yoga da Consciência, suas práticas são dinâmicas, energizantes e objetivas. Fortalece, alonga, relaxa a musculatura e todo metabolismo. Aumenta a capacidade respiratória e o nível de vitalidade física e psíquica. Estimula a harmonia dos sistemas nervoso e glandular, sincronizando-os com a rede de meridianos, chakras e corpos energéticos. Propõe ainda um profundo mergulho na Meditação.


Que a Divina Luz esteja entre nós 

Emidio de Ogum 

sábado, 16 de agosto de 2014

ORIXÁ, IMALÈ E EBORA

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Orixá é uma palavra de origem yorubana, é utilizada para designar suas divindades.
Na umbanda, principalmente na doutrina seguida pelo Núcleo Mata Verde, designa seres espirituais de elevada condição espiritual; são os seres espirituais mais elevados da escala evolutiva.
São seres de pura luz espiritual (espíritos puros) e que recebem orientações  diretamente do criador;  são os responsáveis pelas sete hierarquias espirituais existentes na umbanda e que normalmente são conhecidas como as Sete Linhas da Umbanda.
Também são os seres primordiais da criação.
Hoje vamos discutir um pouco a origem africana do orixá.
O que é Orixá e qual o significado da palavra Orixá na concepção yorubana.
Para isso vamos recorrer a obras de escritores que conhecem profundamente a cultura e religiosidade africana, entre estes José Beniste e Pierre Verger.
Nos ensina José Beniste no livro “Orun e Aiye – o encontro de dois mundos” que os Yorubás designam as divindades servidoras da humanidade pelo nome genérico de Orixá, que é aceito pela modalidade de culto aqui estabelecido (Brasil) com o nome de Candomblé de Ketu ou Nagô, numa alusão conjunta às suas origens étnicas.
Esses seres divinos são de natureza complexa e sempre devem ser considerados em conjunto.
Alguns seriam divindades primordiais pela convivência com o Ser Supremo nos primórdios dos acontecimentos.
Outros são figuras históricas, reis, rainhas, fundadores de cidades que foram divinizados devido a atos relevantes ou ligações fantásticas com os elementos naturais – a terra, o vento, a caça, rios, mares, ervas, minerais.
São geralmente denominados Orixá, Irunmale ou Imalè e Ebora.
Outras formas de espíritos são cultuadas por representarem a personificação de forças da natureza ligadas a terra – Onile; às arvores – Iwin; às florestas – Àroni; à ancestralidade familiar – Oku orun ou Ésa; à personificação dos mortos – Egungun; ao poder gestador – Iyami; e aos poderes influenciadores da vida terrena – Oro e elenini.
A palavra Orixá é utilizada exclusivamente para definir as divindades, e nunca para formas de espíritos comuns que possuem suas próprias denominações…
Os Orixas representam a personificação das forças da natureza e dos fenômenos naturais: nascimento e morte, saúde e doença, as chuvas e o orvalho, as arvores e os rios.
Representam os quatro grandes elementos: fogo, ar, terra, água, e os três estados físicos dos corpos: sólido, líquido e gasoso. Representam ainda os três reinos: mineral, vegetal e animal, além dos princípios masculino e feminino, também presentes em sua representatividade.
Tudo isso representa o poder vital, a energia, a grande força de todas as coisas existentes e que é denominada Axé.
Axé das forças da natureza é parte do Orixá, porque o seu culto é exatamente dirigido às forças da natureza.
O orixá é a parte disciplinada de tais forças, a parte que é controlada para formar um elo nas relações da humanidade com o Ser Supremo.
Outro elo é constituído pelos seres humanos que viveram na terra em tempos remotos, e mais tarde foram divinizados.
Esses personagens foram capazes de estabelecer o controle sobre a força natural atraindopara si mesmos e sua gente a ação benéfica do Axé, e dirigindo este poder adquirido emdefesa de seu povo.
Essa dupla visão das divindades faz criar duas formas de estudo: a dos Orixás Primordiais e a dos antepassados divinizados; é uma justificação para o número de divindades existentes.
O censo exato do panteão ninguém está apto a responder.
Os cálculos revelam a existência de 200, 400, 600, 1700 ou mais divindades.
Algumas são imensamente cultuadas, enquanto outras são apenas de importância local.
Devemos considerar que a teogonia yorubá revela que, no começo, havia somente poucas divindades.
Os Orixás eram reverenciados pelos seus nomes “principais”, não havendo referências a outras facções do mesmo orixá, aqui no Brasil denominadas de “qualidades” de orixá.
Em relação ao significado da palavra Orixá, há uma tendência a se aceitar a origem do nome Orixá como uma modificação fonética da palavra ORÌSÈ, que é uma abreviação da frase “Ibiti orí ti sè” (A origem ou fonte do orí).
Orí é o nome para a cabeça física do homem, mas neste caso refere-se à essência da personalidade.
Assim a origem ou fonte de todo orí seria o Ser Supremo – Olodumare – ou o Grande Orí, do qual ori deriva, visto que Ele é, na verdade, o doador de todo orí.
Outro nome muito comum e que designa o conjunto de divindades yorubá é Irunmale, com suas variantes imale ou imole, muito frequente nos textos de Ifá.
Sua origem pode estar conectada com as divindades ou espíritos específicos da Terra, uma categoria diferente da de Orixá.
Imale, sendo uma contração de “Emò ti bem nilè”(os sobrenaturais da Terra), passou a ser usado de forma imprecisa, perdendo sua conotação inicial e tornando-se sinônimo de Orixá.
Ebora é uma outra denominação usada para definir as divindades. “Os Oríxas e os Ebora são intermediários entre Olodumare e os seres humanos, e recebem por delegação alguns de seus poderes” (Verger, Orixás, p.21).
Em Os Nagô e a Morte, a autora diz: “O termo ebora quase desapareceu no Brasil e chamam-se orixá todas as entidades… Os Ebora constituem os duzentos irunmale da esquerda, encabeçados por Oduduwa…”(PP. 79-80). No Dictionary of Modern Yoruba, Abraham define: “Ebora – um tipo de Egungun” (p.172)
Finalizamos nosso estudo destacando o cuidado que devemos ter em utilizar corretamente dentro da umbanda os conceitos apresentados acima: Orixá, Imale e Ebora.
Quando falamos em orixá nos estudos da doutrina umbandista dos sete reinos sagrados, estamos sempre nos dirigindo aos orixás primordiais, que se manifestam na natureza através do seu axé conforme mencionado acima.

domingo, 3 de agosto de 2014

SOU DO CABULA!

Sou CATÓLICO.
Sou UMBANDISTA.
Sou KARDECISTA.
Sou BUDISTA.
Sou CRISTÃO.
Sou CANDOBLECISTA.
Sou TUDO.
Porque sou do CABULA!
O Cabula é a união de todas as religiões num só ritual. Rezamos o Pai Nosso e a Ave Maria. Batemos tambor, incorporamos e dançamos para o Santo. Louvamos Nosso Senhor Jesus Cristo em tudo que fazemos. Nossos guias dão passes, aplicam Reiki, imposição de mãos, acendem velas e rezam, rezam muito. Rezando a gente se conecta com os seres supremos sempre. Indicamos banhos energéticos e de descarrego. Louvamos ao Senhor em nosso terreiro, na praia, na cachoeira e nas matas. Adoramos a natureza e lutamos por elas. Temos doutrinas e fundamentos, preceitos e leis. Respeitamos todas as religiões porque sabemos que todas levam as pessoas a um caminho: Jesus, Oxalá, Maomé, Alá, não importa o nome, importa acreditar. Não importa o que falem, não importa que discriminem nossa religião dizendo que ela não existe, que não tem raiz, que foi inventada. O que importa é que pra quem acredita no Cabula  ele é e sempre será nosso caminho para Deus. Trabalhamos com a Caridade com muita Humildade, afinal o mais caridoso de todos que já existiu foi o mais humilde. 

Nilo Coelho




quarta-feira, 23 de julho de 2014

Aquilo que faz bem. Aquilo que ME faz bem.


maos-de-terra

Axééé pessoal… Além da saudade e do trabalho, como é bom estar por aqui novamente. Como é bom estar com saudades, com muito trabalho e sentindo o aquecimento do espírito através de boas palavras, boas vibrações, bons olhos e boas ações.
Palavras que são tão importantes para a religião Umbanda que se fundamenta pela tradição da comunicação, da oralidade. Vibrações que transfiguram qualquer situação. Olhos que transmitem e atestam a presença de Deus “Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só veem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si” (Marli Savelli). E ações que materializam o Amor, expõem o Saber e libertam o Ser.
Tudo muito Umbanda, Uma Banda por todas as Bandas ou todas as Bandas por Um na segurança do Maior, do Além, do Sagrado e da Certeza no incerto da vida.
E diante de tanta Umbanda reafirmo que, mais que ‘estar’ na Umbanda para fazer a caridade, vestir o branco ou incorporar, o médium deve almejar e lutar para ser um religioso com espírito forte, firme e ativo, cheio de compaixão, de capacidade de tomar decisões e de sentimentos humanitários.  Deve se dedicar, estudar, exercitar, agir, movimentar, crer e zelar. Zelar muito para que nada, para que ninguém, deprecie aquilo que faz bem, aquilo que LHE faz bem.
SABER! Saber é a melhor, a maior e mais potente forma de zelar, de se movimentar, de agir, de conquistar o respeito, de semear e cultivar a religião certo dos bons frutos.
Saber sobre hierarquia, rituais, valores e fundamentos é importantes para qualquer médium, porém não se chega a esses saberes, assim como não devem ser ambicionados, sem condições básicas para tanto. Seria o mesmo que tirar carta de motorista dirigindo uma Ferrari. Creio que muitos Pais de Santos já viveram a experiência de ter médiuns postulando saberes mais que devem, merecem e darão conta.
Saber é sem dúvida uma das bases da Fé firmemente enraizada, mas é necessária uma construção de saberes. Buscar o básico, aquilo que até parece ou é erroneamente avaliado como simples ou desnecessário. Enfim, é necessário preparar a terra para o plantio.
Nesse contexto, o médium deve iniciar seus conhecimentos com saberes sobre velas, cumprimentos, doutrinas espíritas, posturas, trajes, panos, ervas…
Ahhh, e para mim, é importantíssimo, é o principio de tudo, saber sobre as ervas e as infinitas possibilidades de banhos, defumações, borrifos, fumos… coisa de preparar a terra para o plantio meeesmo! Coisas, forma de manuseios, misturas e maneiras que fazem toda a diferença, que levanta ou derruba um médium, uma pessoa. É a guiné com energias, vibrações e ligação a Orixás diferentes dependendo da parte e da forma que for usada. É o milho, por exemplo, que pode promover a energia da boa sorte, ou da riqueza, ou para feitiçaria, ou para ajudar a ter bom parto, ou para sair vitorioso de uma luta, ou ainda para paralisar um processo judicial. Ufa… e não para por aqui… é secar-se esfregando a toalha de banho após o banho de ervas, ou deixar secar naturalmente, ou ainda com leves toques da toalha;  é água quente, fria ou morna; é banho da cabeça para baixo ou do ombro para baixo; e a quizila de Orixá, existe? como lidar?; é defumar de dentro para fora ou de fora para dentro; em cruz, em círculo ou em linha reta; com carvão, com defumador, com incenso, ou com defumador sem brasa…….. Realmente é muita, muita coisa que faz TODA DIFERENÇA.
Conhecimentos básicos que ajudam o médium e toda sua família. Que firmar a caminhada espiritual aproximando espíritos elevados. Que ajudam no combate do Embaixo com o Alto. Que protegem, potencializam, animam, transformam, promovem e concedem.
É, mais que “estar” na Umbanda, precisamos vivê-la, vivenciá-la e vibrar com Ela na sua grandeza, mistérios, magia e Poder. Caso contrário, as palavras ficam soltas e o médium sem raiz, sem solo Sagrado, sem “Ser”.
Umbanda é uma religião única. É difícil, simples, forte, livre, determinante, realizadora e que não deixa nada e ninguém sem resposta, porém para chegar ao entendimento da resposta é preciso muito mais que vestir o branco ou incorporar.
Que todos possam ter a grandeza de fazer mais por aquilo e aquele que tanto faz por nós. Que todos possam estudar com mais serenidade e respeito diante de tanto mistério e de tanto Sagrado.
Mãe Mônica Caraccio