sábado, 25 de junho de 2016

MARIA NO ALTAR DE UMBANDA


MARIA NO ALTAR DE UMBANDA
Oxum representa o amor, a pureza, a beleza, inocência e concepção, enquanto Yemanjá representa a mãe universal, mãe dos orixás, aquela que mantém e gera a vida. Ambas se manifestam na água, Oxum nas cachoeiras e Yemanjá no mar.
O sincretismo de Maria com os Orixás se faz notar principalmente no altar de Umbanda, que é um altar composto por imagens católicas. Encontraremos a imagem de Nossa Senhora da Conceição ou de Nossa Senhora Aparecida, fazendo sincretismo com Oxum. Yemanjá é o único orixá que tem uma imagem própria, umbandista, assim mesmo encontramos sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora das Graças.
QUATRO OLHARES PARA O SINCRETISMO AFRO-CATÓLICO NA UMBANDA
O olhar para o sincretismo assume diferentes aspectos dentro da Umbanda, devido à liberdade de interpretações que existe dentro dela mesma. O umbandista tem diferentes formas de se relacionar com Maria, que resultam em olhares diferentes para o sincretismo. Coloco aqui quatro olhares distintos:
O primeiro olhar é um “olhar católico”, de desinformação sobre a cultura afro. O recém convertido ou o adepto ao ser questionado por exemplo, de quem é o Orixá Oxum ou Yemanjá responde simplesmente que é Maria Mãe de Jesus. Não há um interesse pela cultura e a presença da divindade africana.
O segundo olhar é um “olhar afro” de desinteresse pelo Santo Católico, a presença do mesmo é apenas figurativa para representar o Orixá, divindade que não possui uma imagem feita de gesso para ir ao altar, com exceção de Yemanjá. Assim Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Senhora das Graças está no altar apenas como uma referência simbólica para se alcançar e louvar, quem realmente está lá, Orixá Oxum.
O terceiro olhar é um “olhar de fusão” pelo qual Maria, Oxum e Yemanjá se fundem, não há mais uma e outra, Maria é Oxum e também Yemanjá. As lendas e os mitos se confundem e se apresentam nos cantos, neles vemos “Maria a mãe dos Orixás”, “Maria filha de Nanã Buroquê, a avó dos Orixás” ou “Yemanjá mãe de todos os santos”. Inclusive o conceito de santo e orixá se confundem. O adepto se expressa dizendo “meu santo de cabeça é Oxum”, para esclarecer que este Orixá é o “dono de sua cabeça”, seu regente ou padrinho.

O quarto olhar, é o “olhar de convivência”. É um olhar que reconhece a afinidade entre os Santos e Orixás, Nossa Senhora da Conceição tem sincretismo com Oxum porque ambas tem as mesmas qualidades. Santo e Orixá convivem juntos em harmonia, a qualidade e presença de um não diminui o outro. Existem clareza e esclarecimento sobre a origem e cultura que envolve santo e orixá. Oxum não é Maria, mas ambas têm as mesmas qualidades e convivem juntas e em harmonia. Sozinhas elas já ajudam, juntas ajudam muito mais.

Texto publicado no Jornal de Umbanda Sagrada Ed.108 – 05/2009OBS.: O texto acima é apenas uma parte do texto integral, original, que faz parte do livro "Umbanda e o sentido da vida", Alexandre Cumino, Ed Madras

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Que Caboclo é Esse?


Opinião: por Nilo Coelho

Observe a foto acima. Esse é um índio brasileiro!
Não é americano, nem boliviano e nem africano. É brasileiro.
Os antepassados deste índio habitavam nosso pais quando os europeus chegaram e começaram a dizima-los. É, porque já desembarcaram matando.
Em 1908, um jovem chamado Zélio de Morais, fundou a Umbanda. Na Umbanda trabalham Caboclos, Pretos Velhos e espíritos que desencarnaram neste nosso Brasil, afinal ela é brasileira.
Ai vem a pergunta: Se a Umbanda é brasileira e seus espíritos são brasileiros, porque os Caboclos usam Penachos de Índios Americanos? Você viu o Penacho do Índio Brasileiro? A vestimenta deles? A curimba dele? A Língua que eles falam? 
Americanizaram os Índios Brasileiros para que? Beleza nas sessões? Vaidade?
Não estou aqui querendo mudar nada nos rituais de Umbanda ou seja lá qual for o ritual. Como viram lá em cima na postagem, isso é minha opinião.
Porque tanta ostentação? 
Penachos quilométricos, Decorados com cores e enfeites chocantes (já vi penacho prateado e até metálico). Danças sincronizadas como fosse ensaiadas entre três ou quatro caboclos.
Vamos a definição de Caboclo, conforme o Dicionário Aurélio:
1 Nome que se dá no Brasil aos indígenas de pele acobreada, geralmente mestiço de branco e índia.
Esse é o verdadeiro Caboclo que fala Zélio, afinal em 1908 já existia a miscigenação dos povos no Brasil. Os Caboclos de Umbanda são estes filhos de brancos com índias que viveram em tempos passados e morreram em nossas terras. Falavam português, dançavam, comiam o que plantavam milho, pescavam e caçavam. Caboclos de Flecha, Escudo, Remadores, etc, brasileiros sem Penachos gigantes, com penachos feitos de aves de nossa flora, gente simples, sem ostentação, descalços.
Assista um vídeo de uma tribo em festa. Você vai ver a dança, a comida, a integração, a humildade destes povos. Povos que fizeram a passagem e voltam como espíritos de Umbanda com a mesma humildade.
Não quero dizer que todo mundo tem que jogar o penacho fora e trabalhar como os caboclos brasileiros. Esta tradição já se enraizou nos rituais brasileiros e ninguém vai mudar isso. Está postagem, além de ser minha opinião sobre o assunto, é uma resposta a uma pessoa que perguntou porque nosso Caboclos são tão americanizados.

Índio Cherokee

Um penacho simples, feito com penas de aves que o caboclo conseguiu na mata onde vive é coisa rara. Primeiro que nossos índios nem caçam mais direto e os fabricantes de penachos podem ter problemas com as autoridades se usarem penas naturais. mais a simplicidade está no coração dos Caboclos e tenho certeza que nossos caboclos usam o que lhes for oferecido.
Índio Guarani

Então você me diz: Nilo, se for assim os Pretos Velhos não deveriam tomar vinho, porque não existia vinho na senzala.
Concordo, não existia nada na senzala, só dor e sofrimento, no máximo uma marafinha escondida.
Mas como disse antes, tudo foi adaptado para ser como é hoje. No terreiro de Zélio nenhum Preto Velho bebia ou fumava, até hoje é assim (o terreiro ainda existe e funciona, veja artigo neste blog) caboclos lá não usam penachos e nem fumam charutos. 
Não quero resgatar a Umbanda do tempo do Zélio, somente estou aqui mostrando que algumas extravagancias não condizem com nossa religião. Nunca vi um índio Cherokee dando passe em inglês, mas a vestimenta dele é toda americana. Porque seu médium quer que seu Caboclo apareça mais, brilhe mais, seja o alvo das atenções, a pérola do terreiro. 
Fica a dica.


Nilo Coelho
Espero sua opinião sobre o assunto nos comentários.



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Bruna Surfistinha diz que Umbanda a ajuda a compreender rejeição dos pais

Raquel Pacheco disse que antes tinha preconceito com a religião. E revelou que foi a um terreiro pela primeira vez após sonhar com a mãe.

Raquel Pacheco, a eterna Bruna Surfistinha, é umbandista praticante há cinco anos. Em uma entrevista para o programa de rádio "Pânico", ela explicou como tudo começou e disse que a Umbanda a ajudou a compreender rejeição dos pais.
A ex-garota de programa - que deixou a casa da família aos 17 anos - contou que tudo começou com um sonho. "Para mim sempre foi uma batalha reconquistar meus pais, me reencontrar com eles. Em 2011 tive um sonho com minha mãe e senti que ela queria me dizer algo e não conseguia, chorava, guardava coisas em caixas, e acordei angustiada", disse.
Um tempo depois, Raquel encontrou uma amiga que frequentava um terreiro e resolveu ir até lá tomar um passe. "E aí nunca mais saí! Quando entrei senti uma paz que nunca tinha sentido e senti que aquele era o meu lugar. Parecia que já fazia parte daquilo", contou.
Mas a tentativa de reaproximação com a família veio quando um exu mirim disse que Raquel tinha que procurar a mãe. "Ele afirmou que algo tinha acontecido com minha família e por isso tinha que procurá-la. Quando eu liguei para minha mãe, recebi a notícia de que meu pai tinha morrido um dia antes do meu sonho", lembrou.
Ainda assim, Raquel não conseguiu reconquistar a mãe, que disse que ia procurá-la mas não entrou mais em contato. "Respeito o tempo dela. Hoje sei que não é fácil ter uma filha Bruna Surfistinha e eu também rejeitei eles, né?", disse. Mas acrescentou que não acha que a sua separação dos pais foi por acaso: "Acredito que por algum motivo eu tive que sair da vida deles".
Ela revelou ainda também que antes tinha preconceito com a religião, mas afirma que no terreiro ninguém julga o seu passado. "Posso dizer que encontrei o amor, que é algo que a gente não consegue descrever, só sentir. Eu preenchi um vazio muito grande, eu sempre senti falta de uma fé. E a Umbanda me acolheu", afirmou.
Ana Carolina PortoDo EGO, no Rio

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Sacudimento na Umbanda


27 - Sacudimento

Existem várias interpretações para o Ritual do Sacudimento. Cada ritual ou linha tem seus fundamentos e maneiras de realizar. Aqui tratamos somente do Ritual Cabula. O Sacudimento é uma limpeza espiritual feitas em médiuns iniciantes ou em pessoas com necessidades especificas. Um médium iniciante faz este Sacudimento para limpeza antes de entrar para a corrente mediúnica, ficando assim limpo de corpo e alma para iniciar os trabalhos de desenvolvimento no terreiro. O público em geral também pode fazer o Sacudimento quando existe a necessidade de limpeza espiritual, doenças, obsessões, etc. Se for solicitado, é claro, pelo guia espiritual que lhe atende. O Sacudimento tem duração de 24 horas, da deitada a levantada na hora de início da sessão.
Prepara-se a pessoa 24 horas antes do Ritual com o preceito, onde não deve consumir bebidas alcoólicas, praticar sexo (mesmo individual) e alimentar-se com comidas leves. Na noite do Ritual usar branco (inclusive as roupas intimas). O Sacerdote deve deitar a pessoa em uma esteira de palha forrada com lençol branco e virgem, sem travesseiro, cobrir a pessoa com outro lençol branco virgem e a pessoa deve permanecer por sete horas deitada com as costas na esteira e o ori (cabeça) voltada para o altar. Uma vela de 7 dias e um copo de água deve ser mantido na cabeceira do deitado. É proibido dormir, levantar, conversar, incorporar, alimentar-se ou beber neste período. Nestas 7 horas a pessoa deve orar e pedir a Oxalá tudo que precisa nesta vida, pedir axé par si e aos seus. Após as 7 horas iniciais a pessoa pode se levantar, se alimentar levemente e fazer sua necessidades. Volta para a esteira em seguida e pode dormir sem deitar de bruços, somente de lado ou com a barriga pra cima até o amanhecer onde levanta somente para seu café da manhã e depois o almoço. No fim da tarde e feito a passagem das verduras dos Orixás e o banho que deve ser frio. Após o Sacudimento, os médiuns iniciantes vão para a corrente mediúnica e os  que fizeram por necessidade podem ir para casa ou ficar na assistência do terreiro. Lembrando que após o Sacudimento deve-se manter o preceito por mais 24 horas onde não se deve expor a cabeça ao tempo, usando uma cobertura de cabeça de cor branca.
Lembrando: Sacudimento deve ser feito na véspera de uma sessão de Oxossi ou Almas, nunca de Exu. Sacudimento pode ser feito todas as vezes que for necessário, inclusive pode uma pessoa fazer por outra em casos de doenças ou problemas graves. Obrigatoriamente deve estar dentro do terreiro pelo menos 2 coroados para acompanhar pelas 24 horas os deitados. A alimentação durante o ritual é controlada e leve. Usar sempre roupas brancas, inclusive as toalhas e roupas intimas. todos que participam do ritual devem estar de preceito. Visitas devem ser controladas e nunca devem adentrar o terreiro, somente na assistência e preferencialmente de branco...

Trecho do Livro "Cabula sem Mistério" de Nilo Coelho, sem previsão de lançamento... ainda.

sábado, 30 de janeiro de 2016

TRANSFERIDA A HOMENAGEM PARA 02/04 - HOMENAGEM A YEMANJÁ


TRANSFERIDA PARA 02 DE ABRIL
DIA 02/04/2016 faremos nossa homenagem a Yemanjá e Oxossi na Praia de Cacupé, em frente aos Sesc.
Sessão no Ritual Cabula.
Médiuns de qualquer ritual estão convidados e todos devem ir de branco.
Levar flores, velas e presentes (biodegradáveis).
Maiores informações: 9909-8243 (Whats)

domingo, 24 de janeiro de 2016

A MAGIA DO TEMPLO UMBANDISTA

 O Templo Umbandista é a casa santa dos umbandistas. Nele se concentram todas as energias dos Orixás e Guias. Suas firmezas, o Congá, o Santuário, a Casa dos Exus, o respeito dos frequentadores.

É o lugar onde cultuamos e desenvolvemos nossa espiritualidade através do emocionante encontro com o mundo dos espíritos, o outro lado da vida, a nossa Aruanda.

Magia da Disciplina e da Hierarquia

Uma pessoa muito culta me disse um dia: "gostei muito da Umbanda. Lá todos são deuses, ou seja, todos têm condição de fazer o milagre." A hierarquia na umbanda é respeitadíssima por todos os participantes. O Babalorixá dita as regras e a filosofia da casa, os pais e mães-pequenos são seus auxiliares diretos, os Oburis cuidam da gira e dos médiuns e os ogans cuidam da disciplina e do conjunto de instrumentos usados no terreiro. Sobre a obediência à hierarquia o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse: quem não sabe obedecer, jamais poderá mandar. Este conjunto de respeito forma a união e a integridade mágica da casa espiritualista de Umbanda. Sem disciplina rígida e séria uma Casa de Umbanda não prossegue seu trabalho sob os auspícios da Espiritualidade Superior. O que parece, às vezes, exagero do Pai ou Pais e Mães pequenos no sentido da manutenção da disciplina, do respeito ao terreiro e aos Guias, do respeito à hierarquia constituída, da não permissão de fofocas ou conversas fúteis, constitui-se, na verdade, no grande para-raio ou entrave à entrada de espíritos obsessores, zombeteiros, mistificadores que, em nome de uma suposta caridade sentimentalóide e adocicada, atuam criando confusões, brigas, desentendimentos, desânimos e queda da Casa Umbandista. Todo cuidado é pouco. Não importa que agrade ou desagrade. Quem tem o espírito de amor e busca um Templo sério e a verdadeira espiritualidade, que conduz à evolução, compreende, adere. Caso contrário, é melhor que fique de fora da corrente, pois o orgulho, a vaidade e a ignorância são instrumentos nas mãos dos inimigos invisíveis para a produção de parada ou desmoralização de um Grupo Espiritualista.

Diz André Luiz, pelo médium Chico Xavier que : "Caridade sem disciplina é perda de tempo".

A corrente é a grande força do Templo Umbandista. Na verdade, a corrente merece mais cuidados que as paredes e toda a estrutura física do Templo. Tudo gira em torno dela. Se um elo dessa corrente estiver fraco, pode desestruturar todo o trabalho e dar acesso às energias negativas que, muitas vezes, conseguem prejudicar a vida de muitas pessoas ligadas a essa casa espiritual. Devemos sempre lembrar: "Ninguém é tão forte como todos nós juntos".

Para manter a Corrente sempre iluminada a disciplina tem que ser rigorosa, e o seu princípio está no respeito à hierarquia. O membro da Corrente que não se sinta inserido nesse campo de atividade de acordo com as normas da Casa deve se afastar, pois será melhor para ele, e evitar-se-ão problemas futuros, bem como a possibilidade de entrada de quiumbas por tele-mentalização nesses médiuns desavisados.

Magia do Congá

O Congá é um núcleo de força, em atividade constante, agindo como centro atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos e níveis de energia e magnetismo.

É Atrator porque atrai para si todas as variedades de pensamentos que pairam sobre o terreiro, numa contínua atividade magneto-atratora de recepção de ondas ou feixes mentais, quer positivos ou negativos.

É Condensador, na medida em que tais ondas ou feixes mentais vão se aglutinando ao seu redor, num complexo influxo de cargas positivas e negativas, produto da psicosfera dos presentes.

É Escoador, na proporção em que, funcionando como verdadeiro fio-terra (pára-raio), comprime miasmas e cargas magneto-negativas e as descarrega para a Mãe-Terra, num potente efluxo eletromagnético.

É Expansor pois que, condensando as ondas ou feixes de pensamentos positivos emanados pelo corpo mediúnico e assistência, os potencializa e devolve para os presentes, num complexo e eficaz fluxo e refluxo de eletromagnetismo positivo.

É Transformador no sentido de que, em alguns casos e sob determinados limites, funciona como um reciclador de lixo astral, condensando-os, depurando-os e os vertendo, já reciclados, ao ambiente de caridade.

É Alimentador, pelo fato de ser um dos pontos do templo a receberem continuamente uma variedade de fluidos astrais, que além de auxiliarem na sustentação da egrégora da Casa, serão o combustível principal para as atividades do Congá (Núcleo de Força).

O Congá não é mero enfeite; tão pouco se constitui num aglomerado de símbolos afixados de forma aleatória, atendendo a vaidade de uns e o devaneio de outros. Congá dentro dos Templos Umbandistas sérios tem fundamento, tem sua razão de ser, pois é pautado em bases e diretrizes sólidas, lógicas, racionais, magísticas, sob a supervisão da espiritualidade.

domingo, 8 de novembro de 2015

Cuspir no prato em que comeu!


Até para quem faz parte, entender o que é religião é muito complicado.
O sentido do "religare" fica perdido sob camadas e mais camadas de tantas outras coisas, que a maioria dos religiosos, nem conseguem descobrir qual o verdadeiro motivo que os fizeram cruzar as portas das igrejas, quanto mais o que os levou a decisão de realizarem os ritos de passagem ou iniciação (todas as religiões do mundo tem seus rituais de inclusão).
A função da religação com o Sagrado, que é o de conceder pleno significado a fé, proporcionar o motivo para a caminhada na senda escolhida e tornar-se a essência do viver religioso, quase nunca surge no consciente do adepto e se aparece está isento de significado e pior de relevância.
Por conta disso, a grande porta de entrada das pessoas nas religiões continua sendo a dor, em suas diversas matizes e consequências. Para alguns, pode ser também a vontade de fazer parte de alguma coisa (se tornar alguém se possível, ou no mínimo um igual),  para outros é simplesmente fuga da realidade. Raros são aqueles que chegam com a compreensão e o desejo real de desenvolver, com harmonia e equilíbrio, a sua espiritualidade (aqui usada no pleno sentido de elevação, transcendência e sublimidade).
Busca-se, na maioria das vezes e de forma desesperada, o tratamento dos sintomas e não das causas que os afligem. Com esse tipo de demanda os templos e casas espirituais acabam se transformando em prontos-socorros das mazelas humanas, unidades de emergência para soluções de todo e qualquer tipo de problema, consultórios sentimentais, psicológicos, emocionais e psíquicos, em resumo, a última esperança, os botes salvadores do naufrágio do "Titanic" que são as suas vidas.
Embora não seja uma ideia original de Karl Marx, na sua obra publicada em 1844, Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, encontramos a citação que se tornou famosa desde então: "A religião é o ópio do povo" (em alemão "Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes")[1]. Antes de Marx, Henrich Reine (poeta romântico alemão) no seu ensaio sobre Ludwig Börne, em 1840,  escreveu: "Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança."
Voltando, a obra de Marx, e anterior a frase que já citamos, destacamos ainda os seguintes excertos:"É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder.", mais ainda, "A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma."
Independente, se concordamos ou não com Karl Marx e do contexto e intenção de sua crítica, fica claro, pelo menos para mim, o sentido de troca que a maioria das pessoas realizam com as religiões.
Esse nivelamento por baixo, na minha opinião, é o que gera num extremo o fanatismo, a paixão exacerbada e a miopia religiosa, e do outro a indiferença, o ceticismo e o ateísmo. Entre um extremo e outro, temos as ilusões geradas pelas promessas de entrega que as religiões passam a significar e o puxar de tapete das decepções quando as fantasias da imaginação; seus devaneios, sonhos e quimeras caem por terra, se é que vocês estão me entendendo.
O ponto que eu quero chegar nesse momento é que as religiões atuam como válvulas de escape para uma boa parte da população, tábua de salvação para o que elas não conseguem encontrar nas rotinas de suas vidas.
As religiões deveriam ser uma opção de escolha, prestando o serviço de facilitadores para o último patamar da pirâmide de hierarquia das necessidades de Maslow, ou seja, a AUTO-REALIZAÇÃO! É fato que as religiões não se furtam ao trabalho para entregar ou melhorar as demais necessidades (Vide nosso artigo Maslow, Buda e a Umbanda), porém ao serem, muitas vezes obrigadas a cumprir esse papel na sociedade, deixam para segundo plano o seu objetivo com o Sagrado. É isso que quis dizer no início com o"religare" ficar perdido sob camadas e mais camadas de tantas outras coisas.
Sob o olhar da ótica cristã, muitos poderiam me dizer agora, que as religiões realizam o que Jesus veio fazer nesse mundo, afinal Ele aqui esteve por causa dos doentes que precisam do médico e não pelos sãos. O que ninguém discute ou quer entender é que se estivéssemos fazendo a nossa parte, desde o começo, Ele não precisaria ter realizado esse sacrifício, ou melhor dizendo, esse sacro-ofício. Com certeza, Ele não teria sido transformado no polarizador de um apocalipse, o fim dos tempos tendo que realizar o julgamento sumário, fazendo a escoima do trigo, separando destes o joio.
Em suma, temos o comportamento errado e fazemos a mesma leitura que Marx enxerga na sua crítica, como sociedade produzimos a religião, umaconsciência invertida do mundo, porque como sociedade somos um mundo invertido.
Por conta dessa leitura errônea, de tudo que já foi dito até aqui e por uma lista interminável de outros motivos é que grassa hoje em dia, o zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de intolerância. E aqui não me refiro aos homens-bombas e sim a corda que cada dia mais aperta o seu laço tentando enforcar as manifestações religiosas afro-brasileiras. Ao "muro de Berlim" que estão construindo, ao cerceamento invisível a liberdade de expressão religiosa, e ao ataque cada vez mais mobilizado, que me faz dizer brincando (não sei até quando), que em breve estarei batendo macumba nos porões e nas catacumbas, escondido como faziam os antigos cristãos. Isso sem falar nos possíveis "circus" erguidos em que seremos jogados aos leões.
Dramático, exagerado da minha parte? Talvez... Espero que nunca cheguemos a tanto, mas que os papéis estão se invertendo, isto estão.
A Lei do Silêncio usada por muitos para calar os tambores dos terreiros, a Lei Anti-Fumo em que poucas são aprovadas levando em consideração o uso do fumo e da fumaça como elemento ritualístico-religioso, pululam os projetos de lei proibindo o sacro-ofício de animais, ainda chamados de sacrifício e tortura, o labirinto burocrático e fiscalizador de órgãos públicos municipais, cujo os funcionários tomados por sua orientação religiosa cristã, dificultam registros de templos religiosos de matriz afro-brasileira, isenção de IPTU nem pensar, quando não invadem para fechar ou derrubar casas espirituais, como já vimos em notícias.
Isso sem falar da invasão na política, não se trata mais um o outro candidato, mas de bancadas e mais bancadas que cada vez ganham mais força para legislar sob a ótica de uma pauta que traduza os seus interesses religiosos. Fora o "Plano de Poder", livreto lançado em 2008, com o sub-título de "Deus, os Cristãos e a Política", que ao se ler o que está as claras e nas entrelinhas fala por si, é auto-explicativo e como dizem, para bom entendedor meia palavra basta, quanto mais um livro todo.
Teoria da Conspiração?!? Não, não sou afeito a esse tipo de coisas, mas que existe uma égregora de pressão, uma teia invisível se formando no inconsciente coletivo a isso existe! A Igreja Católica já algum tempo percebeu isso, tanto que nos vimos diante do acordo Vaticano-Brasil a chamada Concordata[2], que estabelece o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil (Para maiores informações e texto na íntegra veja: "Conheça na íntegra o acordo Vaticano Brasil").
Tudo isso baila ao nosso redor (das religiões afro-brasileiras), estão quase conseguindo nos fazer a dançar conforme a música tocada por eles. Assistimos, ao meu ver, de forma passiva, acreditando que o céu jamais cairá nas nossas cabeças, enterrando nossas cabeças na areia (embora seja um mito já que o avestruz não faz isso - ao ser acuado ele baixa a cabeça até o chão). Vivemos aprisionados na égregora de estaticidade, inertes, parados, com pouca ou quase nenhuma reação, e aqueles que tentam alguma coisa a nosso favor são rechaçados, por nós mesmos, por não concordarmos que eles sejam os nossos legítimos representantes.
Enquanto algumas religiões entraram no século XXI buscando ganhar cada vez mais terreno de forma legítima, embora nem sempre constitucional, nós ainda vivemos na Idade da Pedra. Somos como os homens da caverna, ainda defendendo o território de nossos habitat dos demais grupos iguais, disputando o alimento, aos urros e gritos, mostrando nossos dentes, batendo no peito e agitando nossos tacapes de ossos sem efeito maior do que tentar assustar e espantar os outros com nossa bravata.
Queremos seguir em frente e vivermos em paz em um tempo que ninguém quer nos deixar fazer isso.
Esquecemos de cobrar, de reivindicar, agir como coletivo e não só como indivíduo sobre o que a constituição brasileira garante a todos, inclusive as religiões afro-brasileiras:
"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(…)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; (…)"
Nesse aspecto estamos cuspindo no prato em que comemos!

A intolerância religiosa é pauta no dia-a-dia da Umbanda e de todas religiões afro-brasileiras! Intolerância "intra" e "inter" religiosa.
Com respeito a intolerância intra-religiosa (por dentro da Umbanda, no nosso caso), os artigos desse blog estão repletos de referências, reflexões e exemplos.
Mais urgente, é falarmos sobre o aspecto da intolerância inter-religiosa (das outras religiões em relação a nossa), essa é a causa que deveria nos unir independente das diferenças e dos motivos que nos separam.
Próximos a nós, pelos laços do fenômeno mediúnico, continuamos a sermos considerados "baixo espiritismo" (engraçado é que nunca pretendemos ser "alto espiritismo", ou algo que o valha), por adeptos de uma doutrina, que exige não ser tratada como uma religião, mas que age como uma, principalmente ao fazer esse tipo de comparação. Chegamos ao ponto de assistirmos um movimento de interpretação e prática da Umbanda sob o ponto de vista e orientação da doutrina de Kardec. Livros é que não faltam para corroborar o que eu estou dizendo. O certo e errado para Umbanda agora é definido por conceitos, metodologias e práticas espíritas.
Cercando-nos, estão os diversos segmentos evangélicos (pentecostalismo, neo-pentecostalismo e os ministérios similares), do lado católico a Renovação Carismática e demais grupos de fé avivada que estão se proliferando em seu seio.
Para completar, como citei na primeira parte desse artigo, os evangélicos buscaram na força política aumentar sua presença no centro das decisões e a Igreja Católica com a Concordata dar a volta por cima "matando dois coelhos com uma cajadada só" (os evangélicos e as demais religiões, no meio as religiões afro-brasileiras).
Interessante observar que, no caso dos evangélicos, bastando um mergulho raso na vida de Lutero, por exemplo, percebemos, que nunca foi o desejo dele, toda violência e revolta que tomou conta da Europa por conta da Reforma. Seu ideal original era a reforma por dentro do Catolicismo (para isso como monge ele tentou a todo custo valer suas teses), e não por fora e, principalmente, servindo como bandeira para as questões políticas e sócio-econômicas que solapavam o velho continente à época. Por outro lado, no caso da Igreja Católica, Jesus nunca quis fundar uma religião, arranjaram a pedra e sentaram Pedro nela e ninguém disse nada, como quem cala consente... O Imperador Constantino[1], mais tarde, realizou o que está longe de uma comparação, mas que podemos aludir como a primeira concordata da Igreja.
Allan Kardec era um professor, que diante das manifestações mediúnicas, que ocorriam nos salões da capital francesa, descobriu as portas para o mundo espiritual e de forma isenta, ética e livre de preconceitos procurou formatar uma doutrina de entendimento e prática desses fenômenos.
Importante dizer a meu favor, que não sou contra as lutas que se referem as questões de desigualdade social e econômica, e dos direitos liberdade de qualquer espécie, como as situações que ocorriam na Europa na época de Lutero. Nem tão pouco, sou alheio ao sofrimento encetado pela perseguição aos primeiros cristãos. A minha visão aqui é que, em ambos os casos, a causa destes (Lutero e os primeiros cristãos), eram por uma espiritualidade maior e os homens a transformaram em conquista de poder, teocracia e império econômico-financeiro. Tenho também o maior respeito pelo Espiritismo, mas não posso concordar com o desprezo de alguns seguidores desta doutrina aos fenômenos mediúnicos umbandistas, a desqualificação espiritual que fazem das nossas entidades, muito menos, como já explanei reiteradas vezes, com a releitura formatada dessa dita "umbanda espírita". 
O fato é que se partirmos exclusivamente das intenções reais de Lutero, de Jesus e de Kardec, nada justifica, a intolerância religiosa que vemos se manisfestar desde o passado até os dias atuais. Em menor ou maior proporção, essa intolerância acontece e diante disso muitos membros das religiões afro-brasileiras já estão agindo de forma reativa a essas ocorrências. Está se tornando um círculo vicioso.
Se fecharmos um olhar sobre os evangélicos, por serem estes os que mais costumam praticar uma "cruzada messiânica" contra nós, podemos listar um incontável número de situações que vivenciamos no nosso dia-a-dia:
  1. As frases, "Jesus te ama!", "Queima Jesus", "Esteja repreendido", "Sangue de Jesus tem poder", " Deus é Fiel", "Só Jesus salva!" e outras mais, usadas como uma arma de confrontação.
  2. Os alto-falantes voltados para as ruas, e os sons cada vez mais potentes das igrejas (será que eles acreditam mesmo, que a gente ao escutar, como se diz aqui no Ceará, vai "emprenhar pelo ouvido"[2] e se entregar a Jesus, só porque eles querem?).
  3. A invasão catequista dos armados com a Bíblia nas poucas cerimônias públicas que realizamos, como as Festas de Yemanjá nas praias.
  4. O entupimento nas caixas de correio de nossas residências com folhetos, panfletos e mensagens doutrinárias.
  5. O acordar, em pleno domingo às 7h00 da manhã, com gente na nossa porta perguntando se sabemos o nome de Deus.
  6. Os "spams" nas caixas de entrada dos nossos e-mails.
  7. Os "fakes" criados para detratar as religiões afro-brasileiras em vídeo, nas redes sociais e em alguns sites, às vezes se passando por gente nossa.
  8. As entradas de "nicks" seja como indivíduos ou grupos nas salas on-line, chats e listas de discussão.
  9. A proliferação de informação, na verdade desinformação, sobre as religiões afro-brasileiras que se propaga na web, na imprensa etc.
  10. As cisões familiares pela conversão de um, ou de alguns de seus membros, pois eles não se contentam em apenas se converterem é preciso a partir daí converter a todos, sem exceção.
  11. A segregação a todos que não pertencem a igreja e o repúdio a tudo na vida que não está de acordo com a Bíblia.
  12. A facilidade com que tudo que é relacionado aos rituais das religiões afro-brasileiras serem taxados de "magia negra" e "coisas do demônio".
Enfim, poderia acrescentar uma quantidade imensa de pontos aos aqui listados. Se você for atrás e fazer uma contagem de quantas vezes eles pronunciam as palavras Jesus e Satanás, acho que Jesus ganharia por uma pequena margem. Se fosse uma eleição teria segundo turno. Se não existisse Satanás, quem ocuparia seu lugar? Sim, porque sem o diabo não tinha o que ser combatido, logo seria uma vida sem motivo e uma guerra sem causa. Brincadeiras a parte, a pergunta que não quer calar é a seguinte: Tudo isso denigre e invalida o protestantismo como religião? Desqualifica seu "religare"? Não! Não vejo essa atitude partindo, por exemplo e me corrijam se eu estiver errado, de batistas e presbiterianos. Percebo esse recrudescimento gerado pelos pentecostais, neo-pentecostais, avivados e os defensores da teologia da prosperidade. Esses sim, me parecem levar sua crença em Jesus as últimas consequências em suas vidas e em relação a vida dos outros.
Mas a maior chaga, na minha opinião, o pior tipo de convertido é aquele que foi ex-adepto da Umbanda, do Candomblé, de alguma religião afro-brasileira.
Esse sim, chega a um tipo de enfrentamento e confrontação extrema. Esse é tomado por uma necessidade fora do comum de expurgar de si o que agora considera pustulento e asqueroso.
Esse tipo de convertido, não precisa de uma lavagem cerebral, ele mesmo faz questão de uma lavagem de alma.
Para isso, o primeiro passo é negar a tudo e a todos que fizeram parte desse seu passado, que não podendo ser apagado da sua vida, tem ao menos que  ser esquecido, ou melhor apartado de vez. É necessário uma verdadeira catarse, por isso muitos reúnem os antigos pertences, da sua ex-religião (fardamentos, colares, imagens etc.) e queimam. Se fossemos usar o nosso linguajar é um descarrego dos "brabos"! Como eu já fiz alusão acima tem que se descarregar o mais profundo do seu "eu", faz-se urgência se passar de impuro para puro, de perdido para salvo, de pecador para um ser livre de pecados. Nova vida, novo mundo, novo tudo.
Assim amigos, familiares, locais, interesses dessa época devem ser ignorados por se tratarem agora de um chamamento a uma vida sem "Jesus". Rapidamente todos esses vazios são ocupados pela igreja, pelos fiéis, a bíblia etc., senão vejamos:
  1. A música passa a ser somente a do gênero gospel, cantado a todos os pulmões, servindo ao mesmo tempo de auto-hipnose e de tentativa de conversão de quem possa escutar.
  2. A leitura restrita tão somente a Bíblia, os livros, revistas e demais impressos da Igreja ou da literatura evangélica. A Bíblia aliás, nesse caso, vira sinal de identificação, pois ele passa a carregá-la para cima e para baixo para ficar bastante gasta, pois quanto mais ela parecer usada, mais a pessoa se apresenta aos demais irmãos como um leitor fiel. Ao mesmo tempo, passa a ter a mesma utilidade do "Almanaque dos Escoteiros-Mirins" (dos sobrinhos do Pato Donald - quem for das antigas, como eu, vai se lembrar), livro de consulta universal, em que se encontra resposta para tudo e qualquer coisa. Se não tiver na Bíblia, no mínimo não é verdade.
  3. As festas, baladas e shows que se costumava ir, agora só se for religiosamente correto e acompanhado dos "irmãos" e "irmãs" (Clube do Bolinha, misturado com o da "Luluzinha", em nome de Jesus).
  4. A bebida alcoólica que não podia faltar no passado, agora reconhecida como a "bebida do diabo", é substituída por refrigerante tomada aos júbilos e gritos de "Glória Senhor Jesus".
  5. O tempo passa a ser ocupado com tudo que for relacionado a igreja e se possível mantendo-se em grupo reunidos para uns ajudarem aos outros não caírem em tentação.
  6. O discurso muda, a maneira de falar também, se fala agora por versículos, capítulos e livros bíblicos, a conversa com um profano, ou melhor dizendo com alguém "sem Jesus", sempre tem a conotação de doutrinar, catequizar e converter.
  7. As roupas passam ser sóbrias e bem comportadas, pois expor o corpo de alguma forma é pecado.
  8. A vida tem que obrigatoriamente se transformar, pois tudo agora é melhor que antes, a uma grande diferença entre uma vida nas trevas e uma renovada em Jesus.
Devidamente pasteurizado, o segundo passo para o agora "irmão" ou "irmã" é ter que provar (esse é o maior dos problemas), que deixou para trás, de forma definitiva, a sua vida pregressa. É nesse instante que se começam as zombarias, as piadas, o sarcasmo, o fazer pouco, por exemplo da sua ex-religião, da vida que parece que não foi vivida, que foi um engano, um erro, uma queda, uma destruição. Como se lembrar das coisas boas que se viveu nessa época agora de trevas? Como sentir algo de bom pelos amigos dessa vida de descaminhos, que se tornou a Umbanda, para ficarmos no exemplo?
Se médium de incorporação, as entidades com quem tanto se trabalhou, se transformam da noite para o dia em "demônios", é o diabo Caboclo X, o demônio Preto-velho Y, o satanás Exu H e assim por diante. O Pai ou Mãe no Santo passa a ser Pai e Mãe da Macumba. Os irmãos de corrente são vistos como seguidores do demônio. Para todos eles um "queima Jesus", ou "esteja repreendido" já afasta o perigo causado por esse possível contágio. Sim, por que só em estar em ambiente próximo é um perigo, é como estar perto de alguém ou alguma coisa virulenta e mortal para a sua vida purificada.
A certeza dessa verdade, tem dividido famílias sim! Fundamentados na Bíblia, eles acreditam literalmente no evangelho de Mateus, em que Jesus afirma: “Não pensem que eu vim trazer paz à terra; eu não vim trazer a paz, e sim a Espada. De fato, eu vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares” (Mt 10, 34-36). Outra interpretação não há, a não ser no que na Bíblia está dito e traduzido. Se não conseguem enxergar além da letra que mata, se não abstraem o espírito que vivifica, não serei eu que tentarei convencer ninguém do contrário. Me abstenho de explicar o rico significado que esse trecho do Novo Testamento contém.
Uma coisa é certa, caros ex-umbandistas e neo-convertidos, o Amor de Jesus não está sujeito a literalidade de palavras escritas, pois esse Amor transcende a letra, pois é Espírito Vivo. A tudo e a todos envolve, e não somente aos escolhidos, ou os que decidiram escolhê-Lo. Ele não exclui, inclui, sem olhar, raça, orientação sexual, classe social e crença religiosa.
Aproveito o ensejo para encerrar, já que vós deveis, nessa sua nova "existência" acreditar piamente nessa passagem do Evangelho de Mateus, que também deveis acreditar em algo maior do que essa afirmação de Jesus, pois as palavras que citarei agora, vieram direto de Deus, do qual Jesus é o Filho, para serem gravadas com fogo nas tábuas que Moisés levou ao monte - o Quinto Mandamento: "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá."
Se preferirem algo direto e claro, vou no popular: NÃO CUSPAM NO PRATO EM QUE COMERAM!

POR:PAI CAIO DE OMULU

domingo, 27 de setembro de 2015

Umbanda e candomblé conquistam jovens descolados no Brasil

Esqueça a imagem das pessoas angustiadas que procuram consolo para a dor da morte de parentes. Agora, jovens descolados deixam de ir à balada para celebrar os orixás, receber passes e fazer amigos. Conheça alguns dos novos frequentadores da umbanda e do candomblé 


À esquerda, Andréa, artista plástica conectada a Iemanjá. Em casa, faz banhos e orações. À direita, Janaína, “filha de Omulu” e ativista pelos direitos da mulher negra (Foto: Rogério Assis)

A artista plástica Andréa Tolaini não sabe o que fazer com sua bicicleta elétrica. O veículo foi um presente em forma de pedido de casamento e tem valor sentimental para a paulistana de 30 anos, mas a verdade é que ela prefere pedalar à moda antiga, sem a ajuda de motor. Do seu ateliê, no bairro do Butantã, em São Paulo, sai pelas novas ciclofaixas da metrópole para se reunir com os clientes que encomendam seus quadros, mandalas multicoloridas pintadas em telas grandes. Tem os horários fluidos, a rotina livre e uma profissão que parece lazer. Investe seu dinheiro em shows e viagens (a última para o Peru) e, nos fins de semana, recebe os amigos para uma feijoada vegetariana em sua casa, onde mora com um gato e dois cachorros. A porta ali está sempre aberta, já que Andréa não é adepta “da vibe portão elétrico e grades até o teto”.
Gosto da liberdade de fazer os ritos do meu jeito. Não me sinto obrigada a ir ao centro: vou quando tenho vontade"
Andréa Tolaini, artista plástica
Ao menos uma vez por mês, ela vai a um terreiro de umbanda. Diz que conversa com os espíritos, pede a eles conselhos para a vida e volta para casa com indicações práticas e rituais. “Faço orações de sete dias, banhos, limpezas e agradecimentos aos orixás”, conta. “Gosto da liberdade de fazer os ritos do meu jeito. Não me sinto obrigada a ir ao centro: vou quando tenho vontade.” Nascida numa família católica, Andréa não tinha contato com religião desde que saiu do colégio cristão onde estudava. Até que, em 2008, foi com uma amiga a um terreiro pela primeira vez. Logo de cara, diz que recebeu de um médium um recado sobre a morte da mãe, que viria a ser diagnosticada com um câncer terminal dali a poucas semanas. “A umbanda dialoga de forma simples e rápida com você, não tem nenhuma metáfora ou mensagem rebuscada”, afirma. A mãe morreu no ano seguinte. Desde então, ela procura ajuda dos guias, os espíritos que incorporam nos médiuns em dia de gira, como são chamadas as cerimônias, sempre que acha necessário. Foi assim quando quis largar a carreira de oito anos em empresas de publicidade para viver de sua arte.
Médiuns antes da gira em centro da Zona Sul de São Paulo (Foto: Rogério Assis)
Andréa faz parte de um grupo bem informado de jovens urbanos que trocou a crença familiar pela fé nas tradições africanas. É por causa de pessoas como ela que, nos dois últimos censos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística), os frequentadores de cultos afro-brasileiros aparecem no topo do ranking de escolaridade: ficam em segundo lugar, atrás apenas de kardecistas e à frente decatólicos e evangélicos. São comunicadores, estudantes e criativos cujas escolhas de vida não combinam com grandes empresas mas, sim, com a liberdade de ir e vir. São membros da geração Y, essa nascida a partir da década de 80, urbana e conectada à internet, em que os psicólogos sociais identificam uma aversão clara à hierarquia e uma necessidade de se engajar em projetos com profundo significado pessoal.
Nasci numa família católica e gostava muito do convívio da igreja. Mas, com o passar dos anos, a missa foi perdendo intensidade para mim"
Rafael Mota, publicitário
O publicitário Rafael Mota, 27 anos, se sente completamente levado pelo ritual que, até três anos, desconhecia por completo. “É impossível não sentir a energia”, diz ele.Sua fé não vem de berço. Como a maioria dos atuais adeptos das religiões afro-brasileiras, Rafael se encantou por ela depois de adulto. “Nasci numa família católica e gostava muito do convívio da igreja. Mas, com o passar dos anos, a missa foi perdendo intensidade para mim. Aquilo não prendia mais a minha atenção .”
Ele foi pela primeira vez ao centro de umbanda por curiosidade, a convite de uma colega de trabalho. Já havia visitado templos budistas, igrejas messiânicas e evangélicas, e imaginava incluir na lista a mais caricata de suas experiências religiosas. “Mas, logo que entrei, vi que tinha imaginado tudo errado. Não havia imagens amedrontadoras nas paredes, nem galinhas mortas pelo chão.” Três semanas depois, não conseguia esquecer a boa sensação de estar naquele pátio, e assim voltou uma, duas, dezenas de vezes, até se tornar parte do time da casa. Segundo a umbanda, qualquer pessoa pode desenvolver a capacidade de intermediar o mundo dos espíritos com o nosso, e foi o que Rafael fez. “Aqui as relações são mais horizontais que na igreja católica, onde a hierarquia é mais de cima para baixo. Lá, o máximo de contato físico que você tem é beijar a mão do padre. Na umbanda, é difícil não sair abraçando meia dúzia. É como se o seu ego se dissolvesse no meio do grupo.”
À esquerda, Edi, o artesão que é “filho de Ogum”, orixá equivalente a São Jorge. À direita, Karen Keppe, 29, produtora cultural e “filha de Xangô”: “A umbanda é mais sincera” (Foto: Rogério Assis)
A umbanda e o candomblé, religiões que vêm atraindo o grupo, também têm umcódigo moral amplo, baseado na lei do retorno: fazer o bem para recebê-lo e evitar fazer o mal para não sofrê-lo. “Nos cultos africanos, bem e mal estão sempre juntos”, diz a produtora cultural e artista paulistana Karen Keppe, 29 anos, que teve o primeiro contato com o candomblé aos 22, ainda na faculdade de história. “Acho essa visão sincera, mais conectada com a realidade”, conclui. Hoje, frequenta um centro umbandista em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, onde não raro encontra pessoas de seu meio de trabalho, como músicos com quem colabora em festas hypadas no Centro paulistano. O local é próximo ao apartamento que ela divide com o namorado e um amigo. Ela trabalha em casa, onde estuda novas maneiras de produzir música, a partir de objetos inusitados como rodas de bicicleta e pequenos ventiladores. Pelas janelas, estão pendurados outros aparelhos curiosos: são sensores caseiros de qualidade do ar, desenvolvidos pelo namorado de Karen para um projeto que mapeia a poluição da cidade. A criação dos sensores foi feita com um programa de computador “aberto”, ou seja, o projeto está disponível na internet e pode ser copiado e replicado por quem quiser. Estamos falando de uma turma para quem a vida colaborativa faz mais sentido que a corporativa. Esse comportamento é muito típico dos jovens do século 21, como já havia apontado o sociólogo Michel Maffesoli, que se dedica a entender a pós-modernidade. “O indivíduo, que era a marca mais forte da era moderna, perde valor para a comunidade, o nós vence o eu”, diz o francês no livro O Tempo das Tribos: o Declínio do Individualismo nas Sociedades de Massa (Forense Universitária, 338 págs., R$ 75).
Nos cultos africanos, bem e mal estão sempre juntos"
Karen Keppe, produtora cultural e artista
Dentro desse contexto, é compreensível que a hierarquia horizontal da umbanda seja tão confortável para os novos adeptos. “Nunca me dei bem com chefe”, diz o designer paulistano Edi Marreiro, 33 anos, que, em suas palavras, optou por não fazer faculdade para “ter uma vida profissional mais variada”. No ano passado, deixou o trabalho como monitor de uma clínica de dependentes químicos para tornar-se designer e produzir objetos de decoração para a marca que criou com a namorada. Apesar do pouco tempo de empreitada, o casal já colhe os frutos e se sustenta com as vendas de seus produtos em um e-commerce, o Casa do Rouxinol.
Alto, com barba cheia e sete tatuagens espalhadas pelo corpo, Edi frequenta um terreiro no bairro do Morumbi, em São Paulo, e diz ter ampliado por lá até mesmo seus interesses mundanos. “Mudou a minha forma de encarar a música, os instrumentos. Antes, gostava só de rock e música eletrônica e agora gosto de percussão, de samba”, afirma. Seu envolvimento foi tão grande que se tornou ogã, um líder que canta e toca atabaque para que os espíritos possam trabalhar. Parte de suas tarefas é receber as pessoas que chegam pela primeira vez ao centro, e foi assim que conheceu a atual namorada, Raji Rajii, de 26 anos. Fora do terreiro, ele participa de um grupo de maracatu, o ritmo pernambucano que tem raízes na cultura dos escravos. Também é fã de músicos nacionais, como os rappers Emicida e Criolo.
Edi se prepara para as giras com alguns rituais: nas 24 horas que antecedem os trabalhos, não tem relações sexuais, não bebe álcool nem usa qualquer substância que possa alterar a consciência, e não come carne vermelha. Também toma um banho de sete ervas. A dedicação causa estranhamento nos amigos de fora da religião. “Tem quem olhe torto, mas não ligo.”
O branco é a cor ritualística nos terreiros (Foto: Rogério Assis)
A assistente social Janaína Grasso, 27 anos, adepta do candomblé, sabe bem como é driblar o preconceito e a intolerância religiosa. “Sou mulher, preta e baiana. Só por isso as pessoas já me chamam de macumbeira. Mas na minha religião ninguém orienta a amarrar marido ou fazer trabalhos para prejudicar os outros”, diz. Moradora do boêmio bairro da Vila Madalena, ela diz preferir as festas de rua que São Paulo oferece a locais que cobram entrada (“mais um jeito de segregar”). Na reta final do mestrado que analisa questões de gênero, ela ainda lidera o coletivo Em Alto e Bom Tom, focado no empoderamento de mulheres negras. Com uma amiga, ela monta exposições itinerantes de retratos de lindas jovens usando turbantes, cabelos afro, tranças e exibindo corpos suntuosos. As imagens visam dar mais confiança e suprir a falta de representação positiva de crianças e adolescentes afrodescendentes.
A umbanda, assim como o candomblé, tem três coisas boas da vida: música, dança e comida"
Reginaldo Prandi, sociólogo das religiões
Nas semanas em que conversou com a reportagem, Janaína faltou a uma festa importante do terreiro que frequenta, com muita música, rezas e oferendas, por causa da dissertação. No candomblé, as cerimônias são guiadas pelo pai de santo e os cantos são em iorubá ou outras línguas dos antigos escravos. Diferentemente da umbanda, quem se manifesta por meio dos médiuns são os orixás – e não espíritos antigos. Por fim, se o praticante tem uma questão particular a tratar, pede uma sessão individual com o pai ou a mãe de santo, que fará perguntas aos deuses pelo jogo de búzios. São consultas que nada lembram as confissões e punições da igreja católica ou as expurgações dos evangélicos pentecostais.
Para o sociólogo das religiões Reginaldo Prandi, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), o aspecto lúdico coloca os cultos africanos numa posição atraente para esses jovens. “A umbanda, assim como o candomblé, tem três coisas boas da vida: música, dança e comida”, resume. Além disso, a estética de cores fortes e contrastantes, rendas e ornamentos ricos, e a conexão com folhas, ondas do mar e flores ajudam a atrair novos adeptos, afirma o estudioso. “O mundo está questionando sua relação com a natureza e, nos grandes centros urbanos, são raros os momentos em que você fica com os pés no chão, em contato com tudo isso”, analisa. Essa turma antenada mostra que, hoje, nada é mais moderno do que buscar a paz nas coisas simples da vida.

domingo, 20 de setembro de 2015

PERGUNTAS SOBRE EXÚ.


A algum tempo atrás respondi a um leitor que se ele fosse filho de Exú sua mãe provavelmente seria uma Pomba Gira. Isso causou uma tremenda polemica entre leitores do blog que começaram a enviar perguntas sobre Exús. Resolvi responder para esclarecer algumas, lembrando que as respostas são minhas opiniões pessoais e coloquei junto respostas de outros médiuns esclarecidos.


1 - Exú e Pomba Gira podem ser donos de coroa na Umbanda?
Nunca na Umbanda! Em alguns outros rituais sim.


2 - Porque Exú não pode ficar de frente na coroa?
* Na UM-BAN-DA não pode mesmo porque exu é uma Linha Espiritual AUXILIAR, agregada e, como já visto antes, composta por falanges de espíritos em sua maioria amorais e de pouco conhecimento sobre princípios evolutivos, ou seja, de curta visão espiritual a despeito de muito conhecimento que possam ter sobre os princípios de vida material.
Se exu ou pomba gira estiverem à frente na coroa de um médium, o certo é (como nos foi ensinado desde muitos anos atrás) que se trabalhe no sentido de afastá-los desta posição para que espíritos GUIA possam assumí-la.
Já para outros cultos, aqueles que não se preocupam com evolução espiritual do médium e das entidades e que pretendem entender que "é assim porque deve ser ou porque sempre foi", aí a pregação é outra e exu vira até "orixá de coroa".



3 - Zé Pilintra é Exú?
Originalmente Zé Pilintra, Maria Padilha e alguns outros Exús, eram Mestres Encantados no norte do Brasil. Com a vinda dos povos do norte para o resto do Brasil, principalmente para o Sul e o Sudeste, o culto aos Encantados veio junto. Aos poucos, esse culto foi se misturando a outros cultos e criou-se entidades que trabalham em várias falanges. Como trabalhar com Encantados era um processo complicado nestas áreas do Brasil, principalmente pela questão de lugar, firmeza, etc., começou-se a trabalhar dentro da Umbanda e Candomblé com as mesmas entidades, criando-se assim o Exú Zé Pilintra e a Pomba Gira Maria Padilha. No Norte ainda cultua-se como Encantados. Um outro motivo é que o nome de Zé Pilintra acabou por criar uma relação com Pilantra, ou seja, malandro, golpista, mulherengo, características de Exú.


4 - De onde surgiu o nome Zé Pilintra?
Em cada lugar existe uma história sobre este nome. Ninguém sabe exatamente a verdadeira história, José Phelintra, José de Aguiar, Chapéu de Couro,  Mestre Zé são alguns nomes dados a esta entidade. Tal como sua morte, dizem que morreu do coração em um cabaré, Maria Navalha cortou seu pescoço numa crise de ciúmes, emboscada na rua e outras tantas. Mas se era Encantado não pode ter morrido, Encantados não morrem, desaparecem da terra num processo sobrenatural.


5 - Exú fala palavrão e bebe cachaça?
Sim, é normal. O que não é normal e depois da entidade desencorporar o médium ficar bêbado e aprontar.
*Tenho a dizer é que SÃO EXUS. E por serem-no agem de acordo com seus princípios e formas de ver a espiritualidade e, além disto, usam desses artifícios como formas de impressionarem suas platéias, em grande parte normalmente ávidas por esses fatos.
Tenho a dizer que, em termos de comportamento, esta é a essência dos espíritos que realmente merecem este apelido - EXU!

6 - Trabalho com uma Pomba Gira e quando ela desencorpora sinto uma imensa excitação sexual, sou casada e deixo meu marido surpreendido quando chego na cama após o trabalho, isso é normal?
Isso é chamado em alguns rituais de "Estar com a Pomba Gira/Exú de frente". As entidades destas falanges tem a tendencia de mexer com áreas neurais do corpo diretamente ligadas a sexualidade. você deve ter percebido que as Pomba Giras dançam muito sensualmente e Exús estão sempre cortejando as mulheres.
O que não pode acontecer é você encontrar Exús excitados durante a incorporação, dando cantadas do tipo: depois da sessão encontre meu cavalo em tal lugar, etc. (já testemunhei um Exú dando o número do celular). E, existe também, médiuns despreparados que as vezes por serem tímidos, mentalizam a entidade para poder fazer aquilo que não tem coragem de dizer quando desencorporados. 
Em alguns casos pode ser obsessores atuando e o Zelador deve trabalhar com o médium para tirar o "Exú  de frente".

7 - Os Exús já viveram aqui?
Com certeza, são almas desencarnadas que retornam a este plano por motivos diversos. Alguns quando estavam vivos foram pessoas normais e trabalhadoras como nós. A história de cada um é segredo deles mesmos, normalmente eles contam sobre suas vidas passadas somente para alguns de sua confiança. Exús não andam garganteando por aí que foram médicos, engenheiros e bispos aos quatro ventos, são entidades muito discretas com relação a isso. O retorno a esta vida através da incorporação é feito para que este espirito possa desenvolver-se e praticar a caridade e, em alguns casos, cumprir com deveres outrora deixados para trás.

8 - Deve-se dar menga para Exú sempre?
Depende, cada espirito é doutrinado de uma forma diferente de outro. Se o Exú aprendeu que pode salvar uma vida com menga ele vai pedir, se aprendeu a mesma coisa com uma vela ele pede a vela.
A menga só não pode ser dada sem motivo plausível, por cisma do médium que acha que dando menga seu Exú fica mais poderosos, por querer aparecer aos olhos das pessoas que desconhecem a religião e nunca para trabalhos feitos para o mal. Quem dá menga a Exú com intensão de fazer mal a alguém na verdade está dando menga a um Kiumba ou rabo de encruza. Exú não faz mal a ninguém.

9 - Porque não se firma Exú no Congá?
Foi dado a Exú na criação a função de mensageiro e guardião.
A firmeza da tronqueira é necessária para a segurança da casa e para que o Exú possa avisar os Orixás sobre o que é necessário. Em muitos terreiros achasse que estando firmado o Exú na tronqueira (ou Cangira) os kiumbas não entram, mera especulação. Se esse fosse o caso as outras entidades não precisariam descarregar os médiuns e a casa. As entidades trabalham juntas e Exú ajuda a todos e todos ajudam o Exú.

10 - Estive em um terreiro que apagaram as luzes na sessão de Exú, os Exús falavam muito palavrão, bebiam, fumavam, cuspiam e dançavam uns com os outros se sarando e passando a mão tanto em homens como em mulheres. Isso acontece em todos os lugares?
Bom, primeiro isso não era Umbanda! Podia ser uma orgia, uma festa, um baile ou qualquer outra coisa. Quando isso acontece é culpa somente de pessoas que se dizem Umbandistas mas na verdade são mistificadores. Vou explicar: Apagar as luzes e deixar o ambiente na penumbra é um ato normal, os Exús não gostam de aparecer e ser discreto é uma de suas características. Falar palavrão também pode ser normal, depende do desenvolvimento e das normas apregoadas pelos zeladores e da própria concentração do médium, mentalizar a entidade antes da incorporação é o melhor meio de doutrinar a entidade. Bebidas são usadas como ferramenta de trabalho da entidade e até mesmo uma forma de aquecer o médium. O médium incorpora um ser morto e, repare bem, quem está incorporado ou depois da incorporação tem o corpo extremamente gelado. Um estudo provou que alguns médiuns chegam a ter temperatura corporal de 27 a 29 graus, quando o normal é 36 a 37 graus. Fumo também é considerado da mesma forma que a bebida, servindo também de fundanga para descarrego.
Quanto a dança e atitudes libidinosas, pode acreditar que é mistificação! Como disse acima existe a sensualidade discreta destas entidades, mas discreta mesmo! Sarar e passar a mão em outras pessoas é safadeza. Já fui em muitos terreiros e vi coisas que deixariam os piores dos kiumbas de boca aberta. Exús são entidades iguais e com o mesmo valor que um Preto Velho, vem para fazer o bem e sem safadeza.

11 - Você falou a um tempo que um terreiro de Umbanda não poderia ser comandado por um Exú. Estive falando com meu zelador e ele disse que é engano seu.
me lembro de você. Se o chefe espiritual do terreiro é um Exú mesmo, seu terreiro é de Quimbanda nunca de Umbanda. Quanto a seu zelador mande ele me escrever, quem sabe  posso ensinar alguma coisa a ele sobre Umbanda.

12 - Posso firmar Exú dentro do terreiro?
Depende do ritual! Se for Quimbanda sim se for Umbanda não.

13 - Existe uma rádio em que um suposto Exú dá entrevistas e palestras, inclusive citando certos trechos da Bíblia e Provérbios, isso é natural?
Não! Este tipo de entidade normalmente ,como já foi dito, é muito discreta. Pode acontecer de um outro espirito ou entidade estar dando estas entrevistas e se identificando como Exú. Pode até mesmo ser um médio tentando pregar coisas que aprendeu ou que ouviu falar dizendo-se Exú. A mistura de trechos bíblicos e provérbios com a doutrina espiritual nos faz lembrar mas o Kardecismo que Umbanda, logico que o sincretismo colocou muito dos rituais católicos na Umbanda. Entrevistas e palestras são dadas por seres humanos, nossas entidades podem enviar mensagens que são transcritas e divulgadas. Exú não precisa ensinar nada no rádio, ele ensina no terreiro e além de tudo: Exú fala pouco e trabalha muito! Nem mesmo os espíritos que trabalham na linha branca ou kardecismo vivem dando entrevistas, tome como exemplo o grande Chico Xavier, discretíssimo e avesso a reportagens.

14 - De onde vem os nomes dos Exús?
Deles mesmos! Normalmente a própria entidade se apresenta com o nome que lhe foi dado por seu superior. Muitos nomes foram criados pelo próprio povo. Muitos nomes mudam de uma região para outra ou ritual para outro e muitos ficam o mesmo em rituais diferentes como Maria Padilha na Encanteria e na Umbanda. Alguns adotam o nome de sua área de atuação: 7 Encruzilhadas ou Maria do Cruzeiro. Alguns adotam nomes de lembranças passadas: Rosa Caveira ou Exú da Lira. 

15 - Porque existem tantos Exús Tranca Rua?
Bom tenho duas teorias:
A primeira é que a falange de Tranca Rua cresceu muito, e existem muitos Tranca Ruas que tem outro nome mas o povo chama de pelo mesmo nome (o Exú que trabalho se chama Exú Guerreiro, e da falange de Tranca Rua, se veste como tal e muita gente o chama de Tranca Rua) causando assim este grande contingente.
A segunda é que todo mundo quer trabalhar com  Tranca Rua, assim como Maria Padilha, Exú veludo, Exú Meia Noite, muitos ainda acham que pelo nome ser conhecido as pessoas confiam e procuram mais a entidade. Do mesmo jeito que acontece com Ogum Beira-Mar, Caboclo Cobra Coral, etc.

16 - Toda Pomba Gira foi prostituta?
Não! Como já foi dito a vida passada da entidade na terra continua sendo um mistério que só ela sabe. As características da entidade, o jeito de vir ao terreiro, sua dança, seu caráter é de uma pessoa alegre e brincalhona, como todo Exú de Umbanda. Muitas pessoas difundem este  conceito sobre esta entidade por falta de conhecimento e muitas vezes a própria entidade mistificada passa isso adiante.

* respostas de C. Zeus.